Muito me admira uma pessoa com o grau de instrução do deputado Arnaldo Jardim (publicação do dia 20 de outubro) acreditar em todos aqueles dados estatísticos. Quer dizer que em São Paulo é melhor não conhecer ninguém, para correr menos riscos de ser morto? Será que se o marido não tiver uma arma, ele deixará de ser violento com a sua esposa? Ou a esposa poderá usar a arma para se defender de um marido violento? A frente da Legítima Defesa não está apregoando uma corrida armamentista, e nem o porte indiscriminado de armas de fogo, mas só o direito de quem puder e tiver a capacitação para tal, poder comprá-la legalmente. O referendo foi vinculado erroneamente ao desarmamento. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O referendo é somente para decidir o comércio legal. Qualquer que seja a decisão, ninguém será obrigado a entregar sua arma.
Eu não duvido que uma boa parte das armas presas com marginais sejam brasileiras. Só que são armas que foram exportadas e voltam ao Brasil contrabandeadas nas mãos dos bandidos. E as armas de grosso calibre, granadas, etc? Não podem ter sido roubadas dos cidadãos, pois não temos acesso a esse tipo de armamento.
Será que todos que apóiam o não são pessoas sem a “cultura da paz”? E será que todos do sim são “anjos de candura”? Não se esqueçam de que os marginais também vão votar e, provavelmente, no sim, pois não querem correr o risco de encontrar alguém armado para recebê-los em nossa casa.
O estatuto já é bastante restritivo quanto ao comércio de armas, não é nescessário a proibição total, será que o Sr. acha que proibindo o comércio legal não haverá um enorme comércio ilegal, que vai enriquecer ainda mais os próprios marginais?
É natural que os jovens sejam as maiores vítimas, pois são os maiores envolvidos com as drogas, que é a verdadeira causa de tanta violência no Brasil. Tem outras coisas que matam muito mais que as armas de fogo e eu não estou vendo nada sendo feito. As nossas crianças estão morrendo por falta de infra-estrutura e falta de saneamento básico. As verbas que são roubadas por nossos representantes estaduais e federais. O pouco caso com que tratam as nossas nescessidades básicas de saúde, educação, bem-estar, etc. Com certeza, todo esse descaso gera muito mais vítimas e muitos dos que não morrem, por falta de opção, acabam entrando na carreira criminosa e acabam se transformando em mais uma estatística assustadora.
Será que todas aquelas armas que foram entregues à Polícia Federal realmente contribuiram para minimizar a violência? As pessoas que as entregaram são pessoas de bem e que não gostam de armas. Com certeza, não eram marginais que mudaram de “profissão” e aposentaram a “ferramenta de trabalho”. Infelizmente, não podemos acreditar que há um futuro de paz e alegria tão perto de nós e que será decidido apenas com um sim, e não são os cidadãos de bem que geram a violência. Agora querem nos culpar até disso!
Eu voto não, pois não acredito que num futuro próximo será concretizada alguma ação para melhorar o nosso sistema de segurança pública. Não apregoo a violência e nem uma corrida armamentista, só o direito de poder fazer alguma coisa pela minha família e por mim. Quem não quer uma arma tem o direito de não comprá-la.
Eduardo Marques Ferreira - RG 16.434.081