Diz o ditado popular que o pior cego é aquele que não quer ver. A inepta cúpula governamental (capitaneada pelo incauto Márcio Thomaz Bastos, que galgou notoriedade e riqueza defendendo marginais da alta sociedade), incapaz de dar uma resposta ao quesito “segurança”, lançou a inacreditável “campanha pelo desarmamento”, fazendo uso da desgraça humana e social para obscurecer a real dimensão do problema.
É óbvio que a sociedade não agüenta mais tanta violência, assim como não suporta mais tanta corrupção, ou o descaso com a saúde, a educação, a Previdência Social, bem como outros tantos quesitos nos quais nós, brasileiros, somos renitentes retardatários no contexto mundial. Mas, alguns direitos, além de inatos, são essenciais à condição humana de sobrevivência e defesa da prole, reflexos do nosso instinto natural de preservação. Possuir ou portar arma, diante de algumas situações, pode ser o liame entre a vida e a morte, assim como “portar um veículo”, haja vista que o trânsito mata mais de 100 mil brasileiros por ano e ninguém fala em reduzir a frota nacional de veículos. Ademais, muitas mortes violentas advêm de crimes cometidos com armas brancas (facas, por exemplo) ou outros objetos durante brigas ou confrontos. Refiro-me, com isso, que a “matança” que coloca o Brasil entre os piores cenários mundiais não é fruto da existência da arma de fogo, mas da banalização dos atos criminosos e da condescendência estatal com falta de punição sumária e rigorosa.
Somos incapazes, por exemplo, de suprimir os excessos de habeas corpus e “liberdades provisórias”, acabar com os “recursos penais em liberdade”, diminuir as fugas de penitenciárias, descaracterizar os “crimes de menor potencial ofensivo”, enquadrar o vandalismo como um crime sério, reduzir a maioridade penal, suspender os “benefícios de presos”, punir severamente os menores criminosos (especialmente os violentos), encarcerar gente importante da sociedade por crimes comuns e muitas outras vantagens que fazem com que, no Brasil, o crime realmente compense. Noutras palavras, legamos todas as condições essenciais para a formação de um bom criminoso voluntário e, depois da “porcaria” feita, reclamamos que ela realmente aconteceu! Parece incongruente, mas isso é a política nacional de combate ao crime.
A voz que se ouve, clamando por segurança, foi ardilosamente manipulada pelo Governo, aproveitando-se da cegueira geral do povo que, realmente, não consegue enxergar a raiz do problema. Será que os seguranças truculentos do Zezé Di Camargo (que faz campanha pró-desarmamento para o governo) entregarão suas armas? Ou será que teremos dois pesos e duas medidas? Certamente, os políticos e “intelectuais” que trabalham nessas campanhas, que andam com seguranças armados, pensam que talvez sejam melhores que eu ou você, leitor. Assim, de dentro de carros blindados e com segurança particular, fica fácil falar em “desarmamento”.
Ora, idiotices à parte, que se puna com sumário e imediato rigor o ato de violência (seja ela armada ou não) que se perceberá a redução da criminalidade, mas impedir o cidadão comum de defender-se quando e como entender necessário é a espoliação mais absurda que esse governo populista poderia achacar contra a sociedade. Os cegos que querem votar ‘sim’ ao desarmamento são os mesmos cegos que foram capazes de votar em Lula e ainda achar que fizeram bom negócio.
Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173