Tribuna do Leitor

Sim ou não às armas?


| Tempo de leitura: 2 min

Todos os brasileiros com direito a voto vão decidir amanhã, nas urnas, sobre a questão da venda de armas de fogo no País. Esse é um assunto importante e que merece reflexão sobre as decisões e as suas implicações.

Várias campanhas de desarmamento já ocorreram. Propagandas, pesquisas e estatísticas apontam bons resultados obtidos com o programa de recolhimento de armas em troca de um valor em dinheiro: uma diminuição do número de acidentes e crimes envolvendo instrumentos dessa natureza.

Os pessimistas de plantão, por outro lado, ousaram dizer que o dinheiro recebido em troca de arma serviu somente para completar um montante necessário para a compra de outra arma, mais sofisticada, potente, rápida e que desse menos trabalho ao usuário, o qual veria suas vítimas certamente exterminadas.

Acredito que realmente seja válido esse movimento. Entretanto, toda uma estrutura deve acompanhar tal ação, até mesmo uma discussão em âmbito familiar sobre esse processo, pois nenhuma arma age sozinha. Nenhuma arma se autoprepara e atira. Há alguém por trás dela que a manipula, que articula as idéias, que idealiza o crime, que sonha um sonho ruim, que mata. Há alguém que precisa vencer a si mesmo, seus impulsos, sua raiva. Mas também há aqueles que, de alguma maneira e por alguma razão, precisam se proteger e, muitas vezes, a forma que têm para fazer isso é usar uma arma de fogo.

Com base nessa perspectiva, nenhuma campanha de desarmamento e nenhum referendo para o combate à venda de armas de fogo conseguirão, sozinhos, fazer com que tenhamos um País e um povo mais pacíficos.

Processos educativos são demorados, mas necessários. Portanto, creio que, neste momento, o ideal é ouvir o que os meios de comunicação vêm dizendo e analisar os dois lados - o sim e o não ao referendo. É preciso ponderar os argumentos de ambos e mostrar às crianças e aos adolescentes que sempre há dois lados, duas possibilidades e que ambas devem ser levadas em conta e são dignas de respeito e atenção.

Os pequenos e os jovens precisam aprender com esse tipo de movimento, pois em breve poderão estar à frente de algum deles ou sendo chamados a participar de um. Para eles, o importante é aprender o porquê do referendo. Seja qual for o resultado, precisamos crer na união da sociedade civil em prol de dias mais tranqüilos, com pessoas mais bem preparadas para dialogar, dividir, entender e colocar-se no lugar do outro. Acreditar em pessoas que valorizem mais o ser que o ter, que exercitem sentimentos como a paciência, a tolerância, a resignação e a caridade.

Cláudio Jeronymo Guerreiro - estudante de direito

Comentários

Comentários