Pronto. Passamos por mais uma eleição, dessa vez chamada de referendo.
Como num país democrático é assim que as coisas devem ser resolvidas, o povo exerceu seu direito e decidiu pela continuidade da fabricação e venda de armas e munição.
Se por um lado o não ter ganho foi péssimo para a diminuição de criminalidade no país, por outro foi ótimo na questão do emprego. Afinal de contas, muitas fábricas não vão ter que dispensar seus funcionários que continuarão a fabricar armas e munição para abastecer pessoas que queiram se armar como forma de defesa, e quando forem surpreendidas por assaltantes, vão trocar tiros com eles.
É claro que se você for muito bom de tiro, e ter uma velocidade inpensável para pegar sua arma, mirar no peito do bandido e disparar o tiro antes dele, você merece ter essa arma, caso contrário, não vai valer a pena, porque ele vai te matar e ainda levar sua arma embora.
Mas isso já foi resolvido. Agora temos o direito de andar armados, de discutir no trânsito e matar um outro que acabou de te dar uma fechada na esquina. Demos o direito aos nossos filhos de andarem armados nas escolas matando seus companheiros de sala, ou então balear o amiguinho de 3, 4 ou 5 anos de idade numa brincadeira que viu acontecer na tv.
Vai ser muito bom saber que teremos mais pessoas armadas nas ruas, assim podemos ter mais bandidos assassinos e ter mais presídios aqui em Bauru, dando mais empregos. Vai ser bom. Mais famílias virão morar aqui para ficar mais perto de seus parentes, mais favelas serão construídas, mais crimes irão acontecer com aquelas armas que fizemos questão de deixar na mão dos assaltantes.
Mais armas, mais presídios. Se o não ganhou o referendo, vamos pelo menos impedir que mais presídios venham para nossa região. Vamos dividir um pouco com quem não tem nada como lá no Vale do Paraíba.
Que bom que vivemos num país democrático.
Eduardo Cimmino - RG 15930635