Nacional

Presos votam dentro de cadeia

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Recife - Em Recife (PE), uma das Capitais mais violentas do Brasil, presos que ainda aguardam julgamento votaram ontem no referendo sobre a proibição da venda legal de armas e munições. Seções eleitorais foram criadas dentro dos próprios presídios. Urnas eletrônicas foram instaladas nas unidades penais, evitando, assim, a saída dos detentos a outros locais de votação.

Na Capital, 80 presos que manifestaram interesse em votar - entre eles 20 mulheres - foram cadastrados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Outros 152 detentos de quatro cidades do interior do Estado também puderam participaram da consulta. “Faço questão de votar, mesmo na cadeia”, disse o ex-comerciante José Carlos Sena, 41 anos, há seis anos detido no presídio Aníbal Bruno, em Recife, acusado de matar a mulher, a facadas, em 1999. Sena não revela seu voto, alegando questão de segurança. Segundo ele, em conversas informais, o “não” predominava no presídio. “A maioria pensa na segurança da família e acha que proibir a venda de armas não mudaria nada”, afirma. O ex-comerciante foi condenado em primeira instância a 16 anos de prisão, mas recorreu. Por isso, o processo ainda continua aberto.

Estudo realizado pela Unesco com base em dados de 2004 divulgados pelo Ministério da Saúde revelam que Recife é, proporcionalmente, a Capital com o maior número de mortes por armas de fogo (78 casos por cem mil habitantes) seguida por Vitória (ES).

Segundo o TRE, a legislação eleitoral permite o voto dos eleitores não condenados judicialmente. No caso dos presos, informou, basta que os tribunais cadastrem os interessados e garanta uma estrutura segura para o pleito. Em Pernambuco, primeiro Estado a organizar essa estrutura, segundo o TRE, os presos podem votar desde 2002. As unidades penais estaduais abrigam hoje cerca de 15 mil pessoas.

Comentários

Comentários