Brasília - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), propôs ontem a criação de uma CPI para investigar o uso de caixa dois nas campanhas eleitorais. Ontem mesmo ele começou a colher assinaturas. O objetivo dos tucanos é sair da defensiva gerada pelo caso Azeredo. A idéia seria investigar eleições em que expoentes do PT teriam se utilizado de caixa dois.
Para que seja automaticamente criada, a comissão necessita de 27 rubricas. Virgílio acredita que alcançará com facilidade esse número porque a oposição tem maioria na Casa. O fato determinado para a criação da CPI será, segundo Virgílio, os depoimentos de Duda Mendonça, responsável pela campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência em 2002, e de Marcos Valério.
Duda declarou que recebeu pagamentos no exterior, e Valério confirmou os depósitos. “Isso já é suficiente para cassar um partido”, disse Virgílio. A disposição do líder do PSDB tomou corpo depois que Azeredo teve seu nome envolvido no financiamento irregular de sua campanha para o governo de Minas Gerais em 1998.
Na semana passada, o ex-tesoureiro de Azeredo naquela campanha, Cláudio Mourão, revelou que fez caixa dois em 1998 e que, dos R$ 20 milhões de gastos durante o pleito, declarou apenas R$ 8 milhões ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Mourão também revelou que tomou dois empréstimos com Marcos Valério, que somaram R$ 11 milhões, e que pagou parte da dívida com Duda Mendonça com recursos não declarados.
O ex-tesoureiro, no entanto, afirmou que Azeredo não sabia do caixa dois. Ao propor a CPI do caixa dois, Virgílio mira especialmente dois senadores petistas: Aloizio Mercadante (SP) e Ideli Salvatti (SC).