Araçatuba - Fiscais da Defesa Agropecuária de São Paulo começaram ontem a interditar 31 propriedades rurais em 24 municípios do Estado que receberam 1.660 animais provenientes do Paraná. São 808 bovinos, 793 suínos, 39 ovinos e 20 caprinos que entraram em São Paulo desde o dia 1 de outubro e são considerados suspeitos de terem se contaminado com o vírus da febre aftosa.
A medida, chamada de “interdição de movimento”, visa a isolar os animais em quarentena: eles não podem ser retirados das propriedades, que também ficam proibidas de receber novos animais. De acordo com assessoria da Secretaria da Agricultura, os técnicos não haviam encontrado, até o final da tarde, nenhum animal com os sintomas da febre aftosa. Mesmo assim, todos os bovinos monitorados estão sendo vacinados contra a febre aftosa.
Dos 808 bovinos trazidos a São Paulo, a maior parte foi localizada nos municípios de Novo Horizonte e Guararapes, onde três propriedades foram interditadas, com 238 animais. Em Guararapes, 171 animais estão distribuídos em duas propriedades do mesmo dono. Ontem mesmo os técnicos entregaram ao proprietário das fazendas o documento de interdição e devem iniciar hoje a vacinação dos animais. Segundo a Defesa Agropecuária, nenhum dos animais apresentava sintomatologia da aftosa. Outros 47 bovinos estão sendo monitorados em uma propriedade de Novo Horizonte.
A Secretaria da Agricultura informou que decidiu não mais divulgar os nomes dos proprietários e dos municípios atingidos pela interdição para não prejudicar os criadores, pois há grandes chances de os animais não estarem contaminados. A secretaria também evitou usar a palavra “interdição”, que foi trocada por “monitoramento” ou “interdição de movimento”.
A maior parte dos suínos trazidos ao Estado foi localizada em três propriedades de Poloni e Votuporanga, na região de São José do Rio Preto. Segundo o chefe da Defesa Agropecuária de Rio Preto, Luiz Antônio de Abreu, dos 793 suínos que entraram em São Paulo, 303 estão nessas propriedades. Parte dos animais saiu de Santa Catarina e chegou em São Paulo no dia 11 de outubro.
A Argentina ampliou o embargo à carne brasileiro devido à confirmação de dez focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e de quatro casos suspeitos no Paraná. Fica a partir de agora suspena a compra do produto do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Desde o último dia 12 já estava proibida a carne do Mato Grosso do Sul. A decisão foi tomada após o governo do Paraná anunciar, na última sexta-feira, que há suspeitas de que a doença tenha atingido animais de quatro propriedades do Estado.
O Paraná faz fronteira com a Província argentina de Misiones. Hoje o governo paranaense deve anunciar o resultado dos testes realizados em diversos animais que poderão confirmar a existência da aftosa no rebanho do Estado. O primeiro caso de aftosa foi confirmado em Eldorado (MS) há cerca de 15 dias. Desde então, outros nove focos foram confirmados na região.
Ontem, a Colômbia também anunciou a suspensão das importações de carne brasileira devido à doença. Agora já são 44 os países que impuseram algum tipo de restrição ao produto após a descoberta da doença: Indonésia, Suíça, África do Sul, Argentina, Bolívia, Chile, Cingapura, Cuba, Egito, Israel, Moçambique, Namíbia, Noruega, Paraguai, Peru, Rússia, Ucrânia, União Européia (25 países) e Uruguai. Segundo nota da presidência colombiana, estão banidas as importações de bovinos, ovinos e suínos para impedir a disseminação da doneça.
Falta de recursos
O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, afirmou ontem que a febre aftosa não foi causada pela contenção de recursos. Segundo ele, foram liberados R$ 90 milhões para a área de defesa animal e vegetal. Deste total, o Ministério da Agricultura usou apenas R$ 50 milhões. Segundo Palocci, o mais importante agora é descobrir as causas para evitar que o problema se repita.
No caso de Mato Grosso do Sul, Palocci disse que não houve problema com os recursos, da ordem de R$ 3 milhões, e sim com o projeto. Segundo Palocci, o Ministério da Fazenda não teria problemas em admitir sua parcela de culpa caso a aftosa tivesse sido causada pelo contingenciamento de recursos. “Quando não há recurso, não podemos gastar. (...) Rodrigues teve uma visão clara dos riscos e nós imediatamente liberamos. O ministério teve mais recursos do que precisou utilizar”, disse.
O ministro enfatizou que a não utilização da verba não foi causada necessariamente por ineficiência do Ministério da Agricultura. Ele citou como exemplo projetos que ficaram parados por muito tempo e que somente a injeção de recursos no curto prazo não é suficiente para garantir sua estruturação.