Pode-se dizer sem qualquer receio que Ivete Sangalo é atualmente uma das maiores artistas populares da música nacional - para não ser ainda mais abrangente. Sua carismática presença deixa fãs alucinados, eleva audiência de programas de TV e lota shows e micaretas em todo o Brasil. Agora, com 12 anos de carreira, ela aposta na diversidade musical e em sua própria marca como cantora da “música para pular brasileira” com “As Supernovas - Vol. 1”, novo disco que chega às lojas nessa semana.
“Depois de tantos anos gravando, entendi que o meu foco é o povo, a galera. Meu trabalho é popular, vem para trazer alegria, entretenimento, notícia boa. Eu adoro essa comunicação imediata”, diz a baiana, em entrevista divulgada pela assessoria de imprensa da gravadora Universal.
O repertório e os arranjos do novo disco confirmam a fala de Ivete. Ao mesmo tempo em que as músicas seguem as receitas bem sucedidas de antigos sucessos, elas inovam em arranjos um pouco mais ousados, que fogem do trivial da chamada axé music e incluem mais elementos de funk, soul, disco dos anos 1970, de eletrônica e se diferencia nos metais que marcam as canções da cantora desde sua passagem pela Banda Eva. É como um passo à frente de “Clube Carnavalesco Inocentes em Progresso”, CD de 2003, claramente influenciado por Davi Moraes (seu marido na época), mais popular e sem perder o charme de novidade.
“As Supernovas” sucede o projeto “MTV Ao Vivo”, lançado em 2004 como comemoração dos dez anos de carreira e que se tornou um dos maiores sucessos de vendas nos últimos anos - o DVD bateu 500 mil cópias, maior vendagem nacional até o momento. Preocupação? Aparentemente não, ou o novo projeto seria algo na mesma linha, enquanto Ivete decidiu apostar em um disco de inéditas.
O CD abre com “Abalou”, com clima de soul e funk dançante. Em “faixa a faixa” divulgado pela gravadora, Ivete comenta que a música tem influências de George Clinton e Earth, Wind & Fire. “É um afoxé: o que a gente fez foi misturar elementos da música baiana com esse som internacional”, aponta a cantora.
A segunda canção é aquela pronta para ser a música do próximo Carnaval, “Poder”, co-autoria de Ivete com Gigi e Radamés. A faixa também eleva os metais ao clima soul-funk típico da black music brasileira e ainda tem uma intervenção bem ao estilo das Frenéticas. O disco segue com o samba-reggae “Pra Sempre Ter Você”, que vem na linha de “Beleza Rara” e “Faz Tempo”, assim como “Na Bahia”. “Galera”, mais brincalhona, é outra com perfil de hit certo para os shows e micaretas.
“Zum Zum Ê” tem participação do DJ Malboro, que deixa de lado a percussão baiana e aposta em efeitos eletrônicos, como um funk carioca menos tosco, enquanto “Cadê Você?” tem sonoridade mais africana. O álbum não deixa de fora um estilo que ajudou a consagrar Ivete como grande intérprete: a balada. Dessa vez, a escolhida foi “Quando a Chuva Passar”, de Ramon Cruz, com guitarras mais altas e piano. Para fechar, a regravação de “Soy Loco Por Ti América”, de Gilberto Gil e Capinan, e a versão da lambada “Chorando se Foi”, gravada ao vivo no Guarujá com o mesmo tempero que a música era executada na turnê do “MTV Ao Vivo”.
“Eu não queria um disco complicado, difícil. Minha intenção é aproximar as pessoas da minha filosofia de vida, que é ser feliz e aproveitar o que ela tem de melhor, através da música”, comenta Ivete na entrevista divulgada pela gravadora. E “As Supernovas” é assim: descomplicado, fácil e pronto, em praticamente todas as músicas, para ser cantado a plenos pulmões pelo público da baiana. Se essa é a opção de Ivete, os críticos torcem o nariz, mas o público agradece.