A inauguração da nova farmácia é observada com ponderação por quem travou batalhas para obter medicação de alto custo, material de autocontrole para diabetes ou suplemento alimentar aos filhos. É o caso de Ângela Maria Orestes de Souza, que engrossou o “bolo” crescente de pessoas que recorrem à Justiça com esse objetivo.
Ela disse à reportagem que tende a acreditar mais na possibilidade do Estado dificultar a cessão de medicamentos do que na proposta de facilitar. “Eu tenho esse medo. Acho que eles podem complicar um pouco para ver se a gente desiste. Acho o HE distante, mas iria lá para pegar o remédio para minha filha (de 10 anos)”, afirma. Ângela não retira medicamentos para a menina farmácia de alto custo, que será transferida em dezembro para o HE.
No entanto, também tem direito ao tratamento gratuito. Se arcasse sozinha com a compra dos remédios, mais de R$ 300,00 do orçamento familiar sumiriam da conta todos os meses. “Não reclamaria nem se tivesse que esperar muito (para retirar o medicamento). Se tivesse de comprar, teria de vender coisas, dar um jeito. Não é um supérfluo”, diz. A doença da filha Fernanda foi diagnosticada quando a garota tinha apenas 2 anos.