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Cirurgia íntima ganha mais adeptas

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 6 min

Engana-se quem pensa que em termos de cirurgia estética as mulheres só se preocupam em retirar o excesso de gordura do abdome, levantar o seio ou corrigir um nariz adunco. Elas estão também preocupadas com suas partes íntimas, incluindo os pequenos e grandes lábios, o Monte de Vênus e o alargamento vaginal.

“Problemas” que há uma década não faziam parte do cotidiano dos consultórios deixaram de ser tabu e passaram a ser comentados nas rodas do chamado “sexo frágil”.

Quem não está satisfeita com sua genitália pode se sentir profundamente incomodada, constrangida até mesmo de procurar ajuda médica, e com isso acabar comprometendo a relação conjugal. â€œÉ como uma pessoa com os seios muito flácidos que faz tudo para camuflar, dormindo com sutiã ou fazendo sexo só na maior escuridão”, detalha J.L.B., 27 anos. As mulheres que participaram da reportagem pediram para não serem identificadas.

L.L.A., 50 anos, que se submeteu à correção de suas partes íntimas quando entrou na menopausa, só se queixa de não ter procurado ajuda antes.

Lembra que antes de se casar passou por momentos angustiantes para expor suas “diferenças” ao noivo. “Passei meses na maior angústia porque me considerava diferente das outras mulheres, meus pequenos lábios eram muito pronunciados, caídos, mas ele aceitou o fato e até hoje vivemos felizes”.

Disse que nunca, em mais de 20 anos de união, o marido reclamou de suas partes íntimas, mas ela achava que por causa disso a relação não era tão perfeita em termos de cama.

“A cirurgia durou meia hora e me senti outra mulher, pois o peso psicológico e físico se dissipou”.

Em Bauru, entre outros profissionais da área médica, a ginecologista obstetra Maria Cecília Delloiagono Sahade vem sendo procurada por mulheres com problemas íntimos.

Ninfoplastia rápida

“No nosso serviço, a procura maior é de mulheres com queixa de hipertrofia de pequenos lábios ou pequenos lábios exuberantes”. O nome da cirurgia é ninfoplastia porque os pequenos lábios também são chamados de ninfas.

O excesso de gordura no Monte de Vênus também aparece entre as queixas. “E nos casos que atendi a resolução foi feita por cirurgião plástico com lipoaspiração”.

Maria Cecília lembra que geralmente o problema é fundamentalmente estético. “São poucas as pacientes que queixam-se de algum desconforto físico”.

A cirurgia feita pelos ginecologistas com maior freqüência é a de correção dos pequenos lábios. Um procedimento relativamente simples com recuperação rápida.

“Há mulheres que consideram estas “diferenças” como um grande problema e outras que nunca notaram nada de anormal. Nossa conduta é sempre dar prioridade à queixa da paciente. Se ela não considera que há algum problema, não há porque preocupá-la.”

Na realidade, explica a ginecologista, estas alterações não são nenhuma doença. “Eu costumo considerar como o nariz adunco, que para algumas pessoas é motivo de desgosto e outras convivem bem com sua anatomia”.

Diz ainda que os maridos não consideram os pequenos lábios aumentados como problema. O desconforto às vezes ocorre quando além do aumento existe assimetria, ou seja, um lado é maior que o outro.

Hoje, nos consultórios, a queixa geralmente parte de pacientes mais jovens que levam a sério o culto à estética fazendo auto-exames.

“No passado as mulheres não examinavam seus genitais, e muitas vezes passavam a vida toda sem ter visto sua anatomia externa. Hoje até o exame ginecológico pode ser acompanhado através de um espelho onde o médico mostra à paciente todo o exame”.

Sahade informa que as pacientes idosas geralmente têm distorções dos grandes lábios pela atrofia que advém da queda dos hormônios. “Mas eu não tenho visto estas alterações como queixas freqüentes. Geralmente, com a idade a mulher queixa-se mais da secura vaginal do que da atrofia vulvar.

Para se entender melhor como o problema estético pode interferir no psicológico, a ginecologista relata casos de pacientes que tinham vergonha de fazer até o exame de Papanicolau para não se exporem ao médico. “Há mulheres que jamais tiraram a roupa na frente dos maridos, para que eles não a vejam na intimidade. Mas esta não é a regra, e sim, a exceção”.

Questionada se os convênios médicos cobrem ou não essas cirurgias, Maria Cecília disse que alguns procedimentos são cobertos por convênios e outros não. “Os convênios não autorizam cirurgias estéticas e só cobrem aquelas que acarretam problemas aos pacientes”.

Anatomia feminina

Em São Paulo, uma das profissionais pioneiras da cirurgia plástica da intimidade feminina no Brasil, Loriti Breuel, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, afirma que esta modalidade de plástica não é novidade.

Embora só recentemente esteja merecendo a atenção dos meios de divulgação. Ela explica que a técnica foi desenvolvida na França pelo cirurgião plástico Jean Pierre Fournier. O método vem sendo aprimorado e dá à mulher segurança e liberdade.

A cirurgiã diz que, há cinco anos, ela operava em média três mulheres ao ano. Agora a média é de oito mulheres ao mês. “A procura por esse tipo de cirurgia aumentou, porque os brasileiros estão mais preocupados com a qualidade da relação sexual”.

“O que tenho notado também é que a mulher está mais consciente daquilo que é bom para ela. No início, só os casais me consultavam. Atualmente, a mulher não tem preconceito de vir sozinha, fala com tranqüilidade sobre o que a está incomodando e marca a cirurgia sem consultar ninguém”.

Detalhes íntimos

Pequenos lábios - Normalmente a causa da hipertrofia dos pequenos lábios é genética (hereditária) ou congênita. A correção, chamada de ninfoplastia, dura cerca de meia hora. Repouso varia de paciente, geralmente dois dias são suficientes.

Grandes lábios - Cirurgia para redução do tamanho e espessura. Nos lábios muito volumosos pode ser aplicada lipoaspiração. Quando estão murchos e flácidos, pode ser feito preenchimento com gordura aspirada de outra região ou aplicação de substâncias sintéticas. O tempo cirúrgico médio é de 30 minutos. Repouso: dois dias em casa. Recuperação: uma semana. Esforços físicos devem ser evitados por 15 dias. Relações sexuais, após um mês.

Monte de Vênus volumoso - O excesso de gordura localizada sobre o púbis interfere na aparência estética da vagina e deixa complexada a maioria das mulheres que têm esse “problema”. Correção através de lipoaspiração, com anestesia local. O tempo cirúrgico máximo é de 15 a 30 minutos. O procedimento pós-operatório é o mesmo da labioplastia.

Alargamento vaginal - Em geral, as mulheres que tiveram parto normal e aquelas com mais idade costumam apresentar esse “problema”. A correção é feita através da retirada de mucosa e fechamento do músculo, com anestesia local. O tempo cirúrgico médio é de 30 a 60 minutos. A paciente só deve retornar às suas atividades normais após 48 horas. Deve guardar um certo repouso e não fazer exercícios por 15 dias. Abstinência sexual de 45 dias.

Murchamento vaginal - É comum em mulheres idosas, causando aspecto antiestético. O problema é bem solucionado com enxerto de gordura da própria paciente, restaurando o volume dos lábios e recuperando a anatomia da região. Como as demais, a cirurgia pode ser feita em consultório ou clínica, com anestesia local. Repouso simples e retorno imediato às atividades.

* Fonte: Dra. Loriti Breuel e Máxima Comunicação

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