Bairros

Demolição é opção para proprietários

Fábio Marinari
| Tempo de leitura: 2 min

A carência de uma empresa especializada em demolições na cidade de Bauru favoreceu o surgimento dos marreteiros -, trabalhadores autônomos que encontraram na derrubada de imóveis antigos uma forma de obter renda. Mas o que mais chama atenção nesse tipo de prestação de serviço é a forma de pagamento. Normalmente, o trabalhador não cobra em dinheiro para desmanchar um imóvel, pois prefere ficar com o material retirado com todo o cuidado da demolição.

“A gente fica com os tijolos, as madeiras, as portas e os vitrôs. Tudo o que dá para reaproveitar a gente separa”, explica o marreteiro Francisco Cordeiro, que atua nesse ramo há mais de 20 anos. O negócio se tornou tão vantajoso que atualmente ele trabalha com um equipe entre 15 e 20 funcionários, todos sem registro profissional. De acordo com Cordeiro, eles ganham entre R$ 15,00 e R$ 20,00 por dia e também recebem o passe de ida e volta para trabalhar. “Não dá para registrar esse pessoal, mas a gente faz o que pode para ajudar”, justifica.

Segundo o marreteiro, todo o material retirado é de qualidade boa, por isso, é facilmente vendido para pessoas que pretendem construir ou reformar. “Tem vez que é tudo vendido na própria obra de demolição. Atualmente eu não tenho nada para vender porque já compraram tudo”, comemora.

Paulo de Lima Petrexi também gerencia uma equipe de marreteiros. Ele afirma que, nesse ano, a procura pelos seus serviços têm sido grande. Mas ressalta que somente demolições de imóveis antigos compensam. “Eu ganho dinheiro desfazendo casas antigas, porque nas novas o material é todo perdido”, explica.

De acordo com a Secretaria Municipal do Planejamento, para que um imóvel seja demolido é obrigatório solicitar autorização junto à prefeitura. A permissão é concedida num prazo de 10 dias, desde que a obra não seja tombada pelo município ou pelo Estado. Para requisitar o serviço é necessário apresentar a escritura do imóvel, o requerimento de demolição e pagar uma taxa que custa pouco mais de R$ 112,00.

Economia

De acordo com presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Cláudio da Silva Gomes, o número de demolições no município começou a crescer no ano passado em razão do período favorável pelo qual o País atravessava na economia. Gomes explica que são poucos os empreiteiros que realizam demolições, pois a maioria é feita pelos próprios trabalhadores que vão atuar na construção do novo prédio que substituirá o antigo.

Segundo ele, grande parte do material de construção retirado das demolições acaba nas mãos das pessoas de baixa renda, pois o produto é de qualidade e o preço é bastante acessível. â€œÉ possível encontrar portas por R$ 10,00 em lojas que revendem materiais reaproveitados”, afirma.

Entre construir e reformar, Gomes acredita que seja mais vantajosa a segunda opção, no caso de prédios que estão com a estrutura bastante danificada. “Mesmo que uma casa velha seja restaurada, ela precisa receber manutenção constante. É que nem carro velho, está sempre na oficina”, brinca.

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