A carência de uma empresa especializada em demolições na cidade de Bauru favoreceu o surgimento dos marreteiros -, trabalhadores autônomos que encontraram na derrubada de imóveis antigos uma forma de obter renda. Mas o que mais chama atenção nesse tipo de prestação de serviço é a forma de pagamento. Normalmente, o trabalhador não cobra em dinheiro para desmanchar um imóvel, pois prefere ficar com o material retirado com todo o cuidado da demolição.
“A gente fica com os tijolos, as madeiras, as portas e os vitrôs. Tudo o que dá para reaproveitar a gente separaâ€, explica o marreteiro Francisco Cordeiro, que atua nesse ramo há mais de 20 anos. O negócio se tornou tão vantajoso que atualmente ele trabalha com um equipe entre 15 e 20 funcionários, todos sem registro profissional. De acordo com Cordeiro, eles ganham entre R$ 15,00 e R$ 20,00 por dia e também recebem o passe de ida e volta para trabalhar. “Não dá para registrar esse pessoal, mas a gente faz o que pode para ajudarâ€, justifica.
Segundo o marreteiro, todo o material retirado é de qualidade boa, por isso, é facilmente vendido para pessoas que pretendem construir ou reformar. “Tem vez que é tudo vendido na própria obra de demolição. Atualmente eu não tenho nada para vender porque já compraram tudoâ€, comemora.
Paulo de Lima Petrexi também gerencia uma equipe de marreteiros. Ele afirma que, nesse ano, a procura pelos seus serviços têm sido grande. Mas ressalta que somente demolições de imóveis antigos compensam. “Eu ganho dinheiro desfazendo casas antigas, porque nas novas o material é todo perdidoâ€, explica.
De acordo com a Secretaria Municipal do Planejamento, para que um imóvel seja demolido é obrigatório solicitar autorização junto à prefeitura. A permissão é concedida num prazo de 10 dias, desde que a obra não seja tombada pelo município ou pelo Estado. Para requisitar o serviço é necessário apresentar a escritura do imóvel, o requerimento de demolição e pagar uma taxa que custa pouco mais de R$ 112,00.
Economia
De acordo com presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Cláudio da Silva Gomes, o número de demolições no município começou a crescer no ano passado em razão do período favorável pelo qual o País atravessava na economia. Gomes explica que são poucos os empreiteiros que realizam demolições, pois a maioria é feita pelos próprios trabalhadores que vão atuar na construção do novo prédio que substituirá o antigo.
Segundo ele, grande parte do material de construção retirado das demolições acaba nas mãos das pessoas de baixa renda, pois o produto é de qualidade e o preço é bastante acessível. â€œÉ possível encontrar portas por R$ 10,00 em lojas que revendem materiais reaproveitadosâ€, afirma.
Entre construir e reformar, Gomes acredita que seja mais vantajosa a segunda opção, no caso de prédios que estão com a estrutura bastante danificada. “Mesmo que uma casa velha seja restaurada, ela precisa receber manutenção constante. É que nem carro velho, está sempre na oficinaâ€, brinca.