Regional

Comunidade prioriza projetos culturais

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

O movimento intenso no Centro Cultural, onde está instalado o Museu do Cotidiano de Brotas, amplia o entendimento da paixão que se percebe na cidade pelas coisas locais. No espaço de encontros, chegam forasteiros em visita ao município e moradores que vem atrás de uma prosa, de alguém para trocar idéias.

Com toda disposição típica do brotense foi que a senhora Izaltina Braga Martinelli, dona Tininha, atendeu a reportagem do JC, na última terça-feira, no museu. A vida da família de Tininha é parte integrante do acervo histórico, que conta o período de prosperidade do café. Ela circula o salão de exposição apontando para cada foto e peça que recuperam sua história particular, com momentos que se confundem com a própria economia da cidade.

Fazendeira, Tininha reside em um recanto, a chácara Santa Cecília, de que fala com carinho especial. No museu, ela ressalta o carrinho de carregar café, usado na fazenda do Castro Carvalho no início do século 20, e que depois foi para a Santa Cecília. Outra peça sugeneris é um pulverizador que servia para espalhar formiga nas plantações de café no combate a pragas, também datado do início do século passado.

Tininha contou com entusiasmo os tempos em que tocava piano no Grêmio Literário e Recreativo Brotense, onde hoje é a sede do Centro Cultural, edifício construído em 1892. Em peças expostas num canto, ela relembra do ambiente dos anos 40. O Grêmio foi inaugurado em 13 de maio de 1897 e foi palco para a alta sociedade de Brotas em bailes de debutantes, formaturas e festas.

Durante horas, Tininha e os funcionários se deliciam relembrando histórias de personagens da cidade. Ela arrisca dedilhar as teclas de um piano marca The Tonk New York, de 1881, instrumento cedido por outro morador.

Enquanto ouve o improviso de Tininha, a diretora de cultura de Brotas, Maria Luiza Jordani de Andrade, a Mila, comenta que há vários projetos culturais na cidade. Ela destaca o Coral Brota & Canto, a Banda Marcial Municipal de Brotas, a Escola de Música “João Paulo e Daniel” e o grupo de Teatro Traquinas em Cena, coordenado por Arilson Galo.

“Espaço Amigo”

Enquanto Tininha impressiona com sua lucidez e presença, em outro salão do prédio a vivacidade das crianças do projeto “Espaço Amigo” dá vida a uma feira de artesanato. O projeto é da Secretaria Municipal de Ação Social, que atende 50 crianças carentes de 7 a 14 anos.

No período em que não estudam, meninos e meninas aprendem a confeccionar peças em ponto cruz, vagonite e macramê, e a decorar peças com a técnica do biscuit.

Segundo a monitora Saura Aparecida Prati Ramos, os alunos recebem ainda acompanhamento psicológico, alimentação e recreação. Ela comentou que a terceira edição da Feira de Artesanato “Espaço Amigo” estava programada para se encerrar na última sexta-feira.

Porém, Ramos apostava com entusiasmo na venda de todas as peças até quinta-feira. O projeto é coordenado por Renata de Oliveira e tem colaboradoras, como Leda Aparecida Mariano Coró.

Paula Jaine Zotto dos Santos, 9 anos, estudante da segunda série do ensino fundamental, era uma das recepcionistas de prontidão na terça-feira passada. Ela está há quatro anos no projeto e destaca o aprendizado de bordado e correntinhas.

Os irmãos Manoel Henrique de Miranda, 13 anos, cursando a sexta série, e Alaf do Amaral, 11 anos, freqüentador da quinta série, exibem com orgulho os panos de prato que produziram. Alaf vai mais longe e espera transformar o que aprende no projeto em profissão.

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