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PT unifica discurso para rebater críticas do PFL, PSDB e PMDB

Folhapress
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Brasília - Orientado pelo Palácio do Planalto, o PT reagiu ontem com um discurso orquestrado na Câmara e no Senado para tentar rebater rápido as denúncias de repasse financeiro de Cuba para a campanha que elegeu o presidente Lula. Durante todo o dia, deputados e senadores do partido se revezaram nas tribunas, empunhando exemplares da revista “Veja”, para repetir o mesmo discurso: a denúncia é “fantasiosa” e “frágil”, e o PT processará a revista, acusada de estar a serviço dos partidos de oposição.

“O partido caracteriza essa revista como um instrumento da oposição partidária no País. Sistematicamente ela vem produzindo reportagens com o único objetivo de tentar esquentar as CPIs. Vamos processar a revista pela maneira como tem agido em relação ao PT, tentando atacar a imagem do partido”, disse o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).

A defesa petista foi articulada pelo coordenador político do governo, Jaques Wagner, que, segundo os parlamentares da sigla, orientou as bancadas a reagirem duro para não permitir que a oposição alardeasse as denúncias.

Na avaliação do ministro, a denúncia não tem “consistência” e está centrada em uma pessoa que já morreu, no caso, Ralf Barquete, ex-assessor do ministro Antônio Palocci (Fazenda) durante sua gestão na Prefeitura de Ribeirão Preto (SP).

Na tribuna, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), travou embate com lideranças dos partidos de oposição. “A oposição terá oportunidade de fazer o debate, como teremos. Terá oportunidade de fazer a disputa política eleitoral, e estamos preparados para ela, o que não podemos concordar é fazer da reportagem o centro da vida nacional”, disse.

Chinaglia afirmou ainda que a revista deverá apresentar provas e que “quem afirmou, em qualquer momento, vai ter que responder”. “Para que façamos a investigação, é preciso que haja alguma credibilidade na matéria. Vou dizer aquilo que não é da minha competência: sou líder do governo, ainda que deputado pelo PT, e o PT vai processar a “Veja’”, disse.

O líder da bancada petista na Casa centrou a defesa citando outra reportagem publicada pela revista, que acusava o partido de ter recebido recursos clandestinos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

“A pergunta que eu me faço é a seguinte: onde estão as vozes que diziam meses atrás que o PT tinha recebido dinheiro das Farc? Por que elas silenciaram? Por que as provas não vieram? Onde estarão essas vozes dentro de um mês, dois meses, três meses, quando as provas dessa suposta denúncia do dinheiro vindo de Cuba não aparecerem e ficar claro que foi mais uma história fantasiosa contada por alguém e repercutida, do meu ponto de vista, de maneira irresponsável por uma revista que deveria ter mais critérios para publicar matérias dessa envergadura e importância.”

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), esquivou-se de comentar o assunto e disse que cabia “a quem foi atingido” fazer a defesa. “Não conversei com o presidente. Não achei que fosse o caso conversar. As denúncias podem ser esclarecidas por quem foi atingido por elas.”

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) disse que, mesmo que seja comprovado o recebimento de dinheiro de Cuba, o crime já teria prescrito. “O clima está muito tenso. Se o Congresso for ampliar a delegacia de polícia, tem matéria-prima para todos os gostos e todos os lados”, disse a senadora.

Para o senador Tião Viana (PT-AC), que é vice-líder do governo, a acusação é “absurda” e “fantasiosa”. “Essa denúncia é tão absurda que só quem não conhece Cuba e Fidel Castro pode ter essas fantasias”, disse ele.

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