Tribuna do Leitor

29 de outubro, 23h


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Fecham-se os bares. Quem puder (pagar) vire-se como puder. Salve-se quem puder. Chego em casa às 0h20. Na quadra da frente de minha casa, um bar aberto. Com som alto. Luzes acesas. Ligo para o 190. Quero saber o que fazer. Falo com o soldado temporário Antonélio. Ele me informa que nada pode ser feito. Independente de falar sobre a Lei que manda bares fecharem às 23 horas, ele me informa que terei que citar meu nome, endereço, telefone para que algo possa ser feito. Não por descumprirem a tal Lei que manda fecharem às 23 horas. Mas pela velha e inválida lei da perturbação da paz.

Argumento que para isso estarei me expondo de maneira perigosa. Que futuras represálias não possuem nem nome, nem endereço e muito menos telefone. Tempo perdido: nada pode ser feito. Como moradora da Vila Falcão, ligo par a Base Comunitária Oeste, a apenas duas quadras de minha casa, duas quadras do tal bar. Falo com o soldado Anderson. Azar o meu. A mesma coisa. Diz ele que a tal lei das 23 horas é uma Lei Orgânica. Que nada foi informado à respeito à Polícia Militar. Que fazer cumprir essa lei não é função da polícia. Que a responsável é a Seplan. Pergunto se há um telefone para acionar a SEPLAN nessas situações.

Afinal, uma Lei que proíbe bares de funcionarem depois das 23 horas, deve ter um telefone, ou alguma equipe que receba reclamações além desse horário, porque abrir antes das 23 horas não é contra lei. Depois sim. Mas ele me informa que não há. Que eu, infelizmente, procurei a instituição errada (palavras dele, que fiz questão de anotar, junto com seu nome). Nada contra a Polícia Militar. Mas me faço algumas perguntas: para que serve essa Lei? Uma vez aprovada, quem tem o dever de fazê-la ser cumprida? Se a lei manda os bares fecharem às 11 da noite, como não há uma equipe de fiscalização ativa nesse horário e depois dele? A quem recorrer? Quem ganha com uma lei que não é cumprida? Os bares que se adaptaram e se transformaram em “lanchonetes”, gastaram quanto para isso?

A quem pagaram por isso? E eu, como fico? Quem me responde? A quem eu reclamo? PS: Sou uma jovem de 26 anos. Freqüento a vida noturna bauruense. Acho um absurdo essa lei. Mas já que ela existe, alguém teve que pagar por ela. Pelo salário dos vereadores que a aprovaram e pelo tempo perdido que poderia ser empregado em coisas mais úteis. Então, já que ela existe, que seja cumprida. Para que a população não se sinta tão idiota por ter votado em vocês.

Susan Renata Lopes - RG 30.954.412-9.

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