“Eu e meu amigo Romildo sempre vamos ao Tietê, pela facilidade de vários acessos e por ser mais perto de Bauru. Somos apenas aprendizes de pescador e nos divertimos muito quando estamos na beira do barranco ou embarcados, e, como ainda não temos um motor, vamos de remada mesmo, se bem que meu amigo ‘bolovo’ não gosta muito de atividades esportivas. Mas o que me leva a esta narrativa é que, como na maioria das pescarias de todo mundo, acabam acontecendo disputas de quem é o melhor, quem fisga o maior peixe, quem pega mais, quem tira o primeiro peixe d’água, e, é claro, de quem só fica com a mão na vara, pois tudo é motivo para nossa diversão.
Num desses dias de belas tilápias que eu estava fisgando, meu ‘truta’ estava louco da vida, pois não conseguia pegar nada, e pela zoeira que eu estava fazendo com ele, já querendo ir embora, nos surpreendeu com um pacu, pequeno, de aproximadamente 1,5 quilo, mais uma novidade pra quem estava no barranco. Aí, quem sofreu com a zoeira fui eu, e meu amigo Romildo falava assim: “- Toninho quem é o rei? Quem é o rei?”. E nesse dia tive que admitir que ele era o rei.
Mas o troco veio alguns dias depois no mesmo local, quando ele fisgou um belo apírari ou palharim, não sei, em seguida uma bela tilápia, e eu não estava pegando nada, usava bóia de arremesso e outro equipamento de fundo, trocava os tipos de iscas e nada. Quando arremessei com um pequeno anzol, usando minhoca de isca, quase não deu tempo de pôr a pequena varinha na espera, deu uma tremida, confirmei a fisgada, e a surpresa foi quando o “danado” deu um salto tentando se soltar do anzol e nosso amigo Domingos, que sempre passa por ali para ver nossos resultados, disse: “- Ah é um sardinhão”. Então eu retruquei: “- Que sardinhão bravo”. Aí o peixe pulou de novo e, para mostrar que não estava para brincadeira, pulou novamente, então pude perceber que nunca tinha pego um daqueles, pela força que fazia e pela briga.
Quando tirei o ‘brabinho’, o seu Domingos disse: “- Que nada, isso aí é um douradinho!”. De mais ou menos 1 quilo. E eu fiquei muito feliz de ver um dourado no Tietê, o primeiro que eu pegara desde então. E vendo o espanto de meu amigo, lhe perguntei: “- E aí, Romildo, quem é o rei?”.
Embora fossem pequenos, esses peixes nos renderam boas e divertidas gargalhadas, pois o que é mais importante é a descontração e a satisfação dessas horas agradáveis que passamos e as que virão com maiores exemplares, se todos tiverem consciência da preservação do nosso Tietê.”
Antonio Jesus Gandolfi é pescador e contador de histórias