Polícia

Moradores de prédio interditado retornam com aval de proprietário

Rafael Tadashi
| Tempo de leitura: 2 min

Os moradores do prédio residencial localizado ao lado da fábrica de colchões da Vila Cardia destruída em um incêndio há dez dias voltaram para suas casas antes mesmo de laudo atestando a segurança do imóvel. O prédio, de 24 apartamentos, havia sido interditado pela Defesa Civil por precaução.

Até ontem, o laudo da Polícia Científica sobre o incêndio na fábrica de colchões ainda não estava pronto. Diante disso, o proprietário do prédio interditado, Antônio Tonon, assumiu os riscos por eventuais acidentes e permitiu o retorno dos cerca de 50 moradores ao imóvel.

De acordo com Tonon, nenhuma autoridade o procurou para notificar que o prédio não poderia ser ocupado pelos moradores. “Não assinei nenhum documento explicando os motivos porque os moradores tiveram que deixar o prédio”, explica.

Tonon conta que, na semana passada, precisou pagar estadia em hotéis para os inquilinos que não têm parentes ou amigos em Bauru. “Estava pagando as diárias do meu próprio bolso. Além disso, mesmo depois de ter me responsabilizado pela volta dos moradores, muitos não retornaram. Estou tendo muitos prejuízos com esse incêndio”, afirma.

Uma notificação exigindo laudo técnico particular ou a desocupação do prédio foi enviada ontem ao proprietário do imóvel, segundo o engenheiro Ricardo Tadeu V. P. Coelho, da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan). “Ou o proprietário desocupa o prédio ou apresenta um laudo atestando que tem segurança estrutural para ser habitado”, ressalta.

Se o proprietário não atender as exigências da notificação, o caso será enviado para o setor jurídico da Seplan, que dará encaminhamento judicial por desrespeito à determinação do órgão. Coelho informa que o prazo para desocupação ou apresentação de um laudo técnico é imediato.

Ele explica que a perícia no prédio residencial só pode ser realizada após a divulgação do laudo da Polícia Técnica sobre o incêndio na fábrica. “Isto é preciso para liberar a área e o engenheiro ter acesso à estrutura inferior do prédio, que fica atrás da fábrica. Só assim poderá ser atestada a segurança, se a estrutura do prédio não foi abalada”, afirma.

Por isso, explica Coelho, o prédio deveria ser mantido desocupado até que um engenheiro possa fazer a análise do local. A reportagem não conseguiu falar com moradores do prédio que retornaram para o imóvel. A proprietária da fábrica de colchões foi localizada, mas não quis se pronunciar sobre a possível reativação da empresa no local ou em outro endereço.

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