Brasília - O Ministério da Agricultura anunciou ontem a detecção do 22.º foco de febre aftosa em Mato Grosso do Sul. É também a área que conta com o maior rebanho. A fazenda atingida, cujo nome não foi divulgado pelo governo a fim de evitar estigmas, está em Japorã e conta com 5.500 cabeças de gado, das quais 54 apresentaram sintomas da doença.
Japorã conta com 18 propriedades afetadas, Eldorado, com três, e Mundo Novo, com uma. O rebanho de todas as áreas atingidas, de acordo com o ministério, chega a cerca de 13 mil cabeças. Isso não significa que todos os animais vão ser sacrificados.
Na fazenda cujo foco foi divulgado ontem, por exemplo, havia rodízio de pastagem. Com isso, há a possibilidade de que nem todos os animais tenham entrado em contato com os bovinos doentes. A previsão da Superintendência de Mato Grosso do Sul é que sejam sacrificadas 17 mil cabeças.
O governo federal, que ontem liberou R$ 300 mil para indenizar os 592 bovinos sacrificados na Fazenda Vezozzo, trabalha com a possibilidade de surgimento de novas áreas atingidas. “Podem aparecer focos todos os dias”, disse o diretor do Departamento de Sanidade Animal do ministério, Jorge Caetano, que estima que o número de animais abatidos possa chegar a 20 mil.
Para o governo, o fato não é tão preocupante, pois os novos focos estão sendo detectados na área de segurança, dentro do raio de 25 km a partir da primeira fazenda atingida, em Eldorado. Mas ainda são aguardados os resultados dos exames de animais suspeitos em quatro municípios do Paraná (Amaporã, Loanda, Grandes Rios e Maringá). Os testes estão no Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) de Belém.
As suspeitas foram anunciadas no último dia 21. E a justificativa para a demora na divulgação dos resultados é a dificuldade para isolar o vírus. Por causa dos focos, 49 países já adotaram restrições a produtos brasileiros. O Brasil é o maior exportador, em termos de volume, de carne bovina do mundo.
O Grupo de Trabalho Interministerial, criado pelo presidente Lula, reuniu-se ontem no Ministério da Agricultura. Formado por representantes de 12 ministérios, o grupo discutiu medidas de apoio às famílias afetadas.
Na próxima semana, membros do grupo viajam para Mato Grosso do Sul e se reúnem com representantes do governo do Estado e do Banco do Brasil. Santa Catarina A Secretaria da Agricultura e Desenvolvimento Rural de Santa Catarina anunciou ontem que, se algum pecuarista do Estado vacinar o gado, será indiciado e poderá pegar de dois a cinco anos de reclusão.
Além disso, o rebanho bovino será sacrificado e o produtor não terá direito a indenização. O anúncio foi feito pelo diretor de Defesa Agropecuária, Roni Barbosa. Segundo ele, a preocupação se dá porque produtores disseram que iriam buscar vacina no Paraná.
O Estado é o único livre da doença sem vacinação no País. E perde o status se for identificada a vacinação em algum local. Barbosa afirma que as medidas serão drásticas, pois o ato pode comprometer um status sanitário único no Brasil.