A chegada da estrada de ferro em Bauru trouxe com ela muitas lendas contadas pelos próprios trabalhadores da ferrovia e por pessoas que moravam nas proximidades da linha. O coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, é filho de ex-ferroviário e se recorda até hoje de algumas histórias contadas por seu pai.
Uma das mais intrigantes é a da freira que embarcava com freqüência em uma antiga estação no Km 17 da antiga Noroeste do Brasil, próximo ao bairro rural de Val de Palmas. Naquela época, todo mundo via a freira comprar a passagem e subir no trem, no entanto, logo após a partida, a religiosa sumia misteriosamente, deixando condutores e funcionários apavorados.
Outra lenda conta a história de uma moça que havia sido atropelada por um trem na linha que ligava Bauru a Marília. Na ocasião, faltava apenas uma semana para o casamento da mulher. Depois desse ocorrido, os maquinistas passaram a relatar que o vulto de uma noiva era visto com freqüência caminhando pelos trilhos da ferrovia.
Lendas de lobisomens também eram muito comuns, segundo Brito. Ele lembra da história de uma pessoa que tomava conta de uma pequena estação na região. Naquele local não havia energia elétrica e quando a noite chegava, tudo ficava muito escuro. Como estava só e tinha muito medo, nas noites de lua cheia o ferroviário enchia o pátio da estação de Cruz de madeira, feitas com o material retirado de cercas. Quando os trens passavam, passageiros e tripulantes ficavam apavorados, pois o local parecia mal-assombrado.
Também no Km 17 da Noroeste, um lobisomem estaria tentando entrar na casa de um dos ferroviários, que acordou com o barulho do animal arranhando a porta. Como não tinha arma, arremessou um crucifixo na direção do bicho, que tropeçou e caiu em cima da horta que ficava em frente à casinha.
O lobisomem teria fugido e nunca mais voltado, mas ficou para sempre na memória daquele ferroviário, afinal, as pimentas que estava plantadas na horta ficaram doce como mel, em razão do bicho ter tocado nelas.