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Trabalho ‘resgataria’ 62% dos sem-lar

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O trabalho resgataria 62% dos 52 moradores de rua consultados em pesquisa elaborada pela Instituição Toledo de Ensino (ITE). Mas a grande maioria deles não tem qualificação para concorrer às vagas oferecidas pelo mercado.

De acordo com Eldemaris Moraes, assistente social do Centro de Pesquisa e Encaminhamento para o Trabalho (Cepet), órgão ligado à Sebes, até para vagas de auxiliar de motorista o requisito básico é o ensino médio completo. Neste caso, o salário bruto pago mensalmente ao trabalhador é de R$ 500,00, em média.

No entanto, um adolescente de 16 anos que vive pelas ruas de Bauru contou à reportagem que consegue levantar até R$ 150,00 por dia no período de Natal. Apesar do atrativo, ele e outros moradores de rua consultados pelo JC são unânimes: abandonariam a tal “liberdade” das ruas, se encontrassem emprego digno. Todos garantem experiência em ramos variados de atividades. São ajudantes gerais, pintores de prédio, faxineiros, pedreiros e domésticas.

Mas os conhecimentos adquiridos antes da fase de exclusão perdem força não só pela concorrência acirrada. Eles dificilmente são testados porque os órgãos oficiais - como o Cepet que atua em conjunto com o Centro de Orientação para o Trabalho (COT), mantido pela Cáritas Diocesana de Bauru – não têm como localizar os moradores de rua, caso apareça chance concreta.

“A primeira dificuldade é que eles não têm endereço fixo. Para fazer o cadastro, tem que confirmar o endereço”, diz Edelmaris. De acordo com ela, a maioria das pessoas que busca auxílio no Cepet/COT tem ensino médio. Além disso, o número de profissionais com ensino superior não é desprezível. Dos 6.644 cadastros, 930 são de candidatos que cursaram faculdade.

“Hoje em dia, o mercado está difícil até para quem tem qualificação. Pela experiência que eu tenho, suponho que seja muito difícil para eles. Não conheço a pesquisa realizada, comento de modo genérico”, diz Luiz Carlos Caneo, coordenador do Centro de Psicologia Aplicada (CPA), da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Ele também coordena o Programa de Orientação para Enfrentar o Mercado de Trabalho (Ponte), que atende outro público.

Para Caneo, embora paliativas, todas as medidas que possam combater a exclusão são importantes. No entanto, na opinião dele, o problemas só será resolvido a partir de alterações sociais mais profundas.

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Conflito familiar

O conflito familiar figura como principal justificativa dos moradores de rua, quando questionados sobre as razões que os levaram a viver ao relento. O desemprego e a busca por melhores condições de vida ocupam a segunda e a terceira colocação, respectivamente. No entanto, tanto para Caneo quanto para a coordenadora da pesquisa, Maria Inês Fontana, os três itens estão relacionados.

“Fatalmente, depois de um tempo sem emprego, as brigas começam em casa. A auto-estima é a primeira coisa a ficar abalada”, comenta o coordenador do projeto Ponte.

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