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Contra rinite, limpeza deve ser redobrada

Por Eduardo Vallim | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Espirros pela manhã, nariz entupido, coriza e dor de cabeça. Estes são alguns dos sintomas de quem sofre de rinite alérgica - doença que atinge entre 25% e 30% da população. A situação é mais grave em cidades poluídas como São Paulo, mas os efeitos podem ser amenizados com o tratamento adequado e tomando certos cuidados com a limpeza da casa, principalmente no quarto.

Rinite é qualquer inflamação nasal e pode ter várias causas. Quem está gripado, por exemplo, sofre de rinite viral. Já a alérgica é aquela quando a inflamação surge no momento em que a pessoa entra em contato com a substância à qual tem sensibilidade.

O otorrinolaringologista Marcelo Alfredo, do Hospital Beneficência Portuguesa de Santo André, conta que fatores como poluição, aquecimento global e umidade tornam propício o aparecimento da rinite alérgica. Ela pode ser leve, moderada e intensa e, para todos os casos, existe tratamento médico.

Em casa, a recomendação sempre é não fumar. Além disso, é importante substituir carpetes e tapetes por piso frio. Quem é alérgico deve evitar também ter animais que soltem pêlos. A maior atenção tem de ser dada ao quarto - ambiente propício para a proliferação dos ácaros, que desencadeiam as crises de rinite alérgica.

Alfredo afirma que o ácaro se alimenta da descamação da pele e se prolifera facilmente, por exemplo, nos colchões. “É importante colocar capas plásticas no colchão e no travesseiro’’, diz o médico. Ao acordar, antes de arrumar a cama, é indicado colocar lençóis e edredons - o alérgico não deve usar cobertor - para tomar sol. Quem acorda e já põe a colcha sobre as roupas de cama ajuda na multiplicação dos ácaros.

O professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) João Ferreira de Mello Júnior, que coordena o Centro de Orientação em Orientação Rinite Alérgica do Hospital das Clínicas da USP (Cora), lembra que os bichos de pelúcia também são ideais para a proliferação de ácaros. Os alérgicos não devem tê-los no quarto ou devem mantê-los sempre limpos.

O recomendado é não ter carpete ou tapete. E, quando isso for impossível, só aspiradores adequados para a limpeza. “Os aparelhos com filtro normal apenas espalham mais os ácaros’’, diz.

O coordenador do Cora lembra que os casos da doença estão aumentando - na década de 80 eram 15% dos paulistanos atingidos e hoje são cerca de 30%. O recomendado é procurar um especialista para saber qual a causa da rinite alérgica e o tratamento mais indicado para a doença.

Mudança de hábitos

A estudante Isabella Romariz, 24 anos, e a avó dela, a aposentada Maria de Lourdes Bardello, 79 anos, sofrem de rinite alérgica. As crises de Lourdes começaram há aproximadamente sete anos e acontecem principalmente de madrugada, atrapalhando seu sono.

Como o remédio prescrito pelo médico acabou fazendo mal, Lourdes tem de enfrentar os sintomas com descongestionantes e soro fisiológico. A aposentada conta que espirra sempre que entra em contato com produtos de limpeza. Isabella também passa mal com o cheiro desses produtos.

Por recomendação médica, Isabella mudou seus hábitos. Primeiro, largou o cigarro. Depois disso, tomou remédio para aumentar a resistência, tirou bichos de pelúcia do quarto e aposentou o cobertor. “As crises ainda aparecem, mas em grau menor’’, conta.

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