O ano nem terminou e o saldo de acidentes envolvendo ciclistas nas rodovias de Bauru e Região já é maior do que o registrado em 2004, quando 24 vítimas passaram a figurar nas estatísticas. Neste ano, o número saltou para 26, sendo duas fatais. No Estado de São Paulo, os acidentes aumentaram 93% de 2000 para 2004. Os índices levaram a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) a procurar associações de ciclistas e empresas concessionárias situadas em território paulista na tentativa de reverter a curva crescente de casos.
Para fortalecer a proposta, a agência mapeará os pontos mais críticos no Estado e, no início do próximo ano, pesquisará o comportamento dos ciclistas. A idéia, informa a assessoria de imprensa do órgão, é elaborar campanhas eficazes. O esforço talvez sensibilize Walter Lopes, 56 anos, que há dois meses pedala pelas estradas do Brasil. Ontem, passou por Bauru rumo a Goiânia, sua cidade natal.
Para ele, o poder público deve se preocupar com o assunto, mas tem coisas mais importantes para fazer, como resolver o problema das crianças de rua. Lopes garante que o esforço físico que faz é fruto de dificuldade financeira. Se tivesse dinheiro, viajaria de ônibus, afirma.
“Devido à condição social, muitas pessoas não têm automóvel e utilizam as bicicletas. Nós prestamos orientações aos ciclistas”, explica Luiz Carlos Ferreira dos Santos, comandante do 1º Pelotão da 1ª Companhia do 2º Batalhão de Polícia Rodoviária, que atende 14 municípios da região.
De acordo com ele, os trechos mais perigosos em Bauru são as rodovias Cezário José de Castilho (Bauru-Ibitinga) e a Marechal Rondon, na altura da Vila Cardia, onde Lopes concedeu entrevista.
“Nós temos três formas de evitar acidentes: fiscalização, educação e engenharia. Indiretamente, a parte educativa nós fazemos, participamos de reuniões com a comunidade. Mas a fiscalização, não temos o que fazer”, explica Santos. De acordo com ele, ainda não foram regulamentadas as medidas que pudessem resultar, por exemplo, na apreensão de bicicletas de condutores que desrespeitam o Código de Trânsito Brasileiro.
“O artigo 255 do código prevê infração para quem conduzir bicicleta em passeios onde não seja permitida a circulação. Mas rodovias não são passeios. Já o artigo 58 diz que nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação deverá ocorrer nas bordas da pista de rolamento, quando não houver ciclovia ou acostamento. Mas no mesmo sentido regulamentado pela via”, esclarece.
Ainda assim, quem desobedece não pode ser punido por falta de regulamentação, reitera o comandante do Pelotão.
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Equipamentos de Segurança
O ciclista Wagner Bisacchi evita praticar o esporte em rodovias porque já passou por apuros. “Os caminhões não respeitam. Se for necessário, pego só trechos pequenos. Já tive um amigo que sofreu acidente. O Poder público tem mesmo que conscientizar as pessoas sobre as normas de trânsito e os equipamentos de segurança”, diz.
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, para circular pela área urbana, rural e pelas rodovias, o condutor deve instalar na bicicleta campainha, sinalização noturna - dianteira, traseira, lateral e nos pedais - e espelho retrovisor do lado esquerdo. Segundo Bisacchi, a exigência pode ser cumprida com aproximadamente R$ 60,00.