Itapuí - Moradores da cidade de Itapuí (42 quilômetros a leste de Bauru) estão convivendo com o aumento no número de carrapatos, que se espalharam pela cidade devido ao clima úmido do verão. De acordo com vereadores, a cidade apresenta quantidade de carrapatos acima do normal. Eles criticam a falta de atuação da Vigilância Sanitária para resolver o problema.
Os bairros mais afetados estão em locais de maior concentração de áreas verdes. Jardim Maria Rosária, Núcleo Irmãos Franceschi, Jardim Bica de Pedra e o Balneário Mar Azul são os quatro pontos de onde a Vigilância Sanitária tem recebido mais reclamações, de acordo com César Augusto Tomazi, responsável pelo setor.
Segundo o vereador Valdir Maia (PDT), os carrapatos começaram a aparecer em quantidades acima do normal desde o ano passado. “Aí fizeram uma aplicação de veneno e parece que deu uma diminuída. Mas esse ano voltou numa quantidade considerada, pela população, fora do normal”, acredita.
De acordo com Maia, a Vigilância Sanitária, na época, disse que o inseto estava sob controle, e tinha tomado as providências para a sua diminuição. “Só que a gente esteve acompanhando os casos de perto e percebendo que não está sob controle. O aumento foi muito grande em relação à situações anteriores”, explica o vereador.
Tomazi diz que a Vigilância Sanitária está fazendo um levantamento dos locais onde existe a infestação para tomar providências, já que a aplicação do veneno para acabar com o carrapato não pode ser feita de forma indiscriminada.
“O veneno que a gente usa é de alta toxidade. Todo veneno tem comprometimento ambiental e a gente não vai aplicar aleatoriamente. Por isso (fizemos) esse levantamento e essa detecção dos pontos mais críticos do município”, explica.
“Nosso controle vai ser em nível ambiental. Dentro de um bairro será nas ruas, calçadas e muro externo da casa”, esclarece Tomazi, que diz estar trabalhando em parcerias. “Estamos traçando uma estratégia junto com o Programa de Saúde da Família para detectarmos exatamente quais os pontos na zona urbana de maior infestação para entrar com ações de combate ao ácaro. Tendo em vista que a gente não pode aplicar o veneno aleatoriamente, muito menos dentro das residências”, completa.
Providências
A Mesa Diretora da Câmara Municipal de Itapuí entrou com requerimento solicitando explicações e a tomada de providências por parte da prefeitura e da Vigilância Sanitária a respeito do problema. “Eu pedi para que o prefeito tome as devidas providências porque já está virando caso de saúde pública” acredita a vereadora Silene Valini (PSDB).
“Os vereadores tem todo o direito (de reclamar), eles trabalham como fiscais da população. Mas eles não vieram nos procurar diretamente. Eu até conversei com alguns deles e falei que poderiam ter nos procurado antes e a gente estaria solucionando juntos (o problema)”, explica Tomazi, responsável pelo centro de Vigilância Sanitária.
Tomazi conta que os animais que vivem soltos nas ruas, como os cavalos, cachorros e aves, são transmissores dos carrapatos que, segundo ele, circulam pela cidade e espalham a praga por onde passam.
“A gente vai trabalhar principalmente a questão do controle de eqüinos junto com o pessoal de uma sociedade hípica que se instalou na cidade esse ano. Eles estão recolhendo (os animais) desde o início do ano e a gente vai manter e acentuar esse trabalho.”
A vereadora Valini reconhece o trabalho de recolhimento de cavalos feito pela hípica. “Depois que montaram a hípica não está tendo muitos cavalos nas ruas”, comenta.
De acordo com Tomazi, no caso dos animais errantes (geralmente cães e gatos), a Vigilância Sanitária fará parcerias com veterinários que vão se instalar na cidade. “Vamos começar a controlar essa população com a castração consciente que não maltrate a criação”, promete. Ele também lamenta por a cidade não possuir um Centro de Controle de Zoonoses, o que dificulta o trabalho de controle das populações de animais no município.
• Serviço
A Vigilância Sanitária de Itapuí atende das 7h às 17h, de segunda à sexta-feira. Telefone para contato: (14) 3664-8045
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Febre maculosa
Segundo a Vigilância Sanitária de Itapuí, na cidade não houve nenhum caso, até hoje, de morador infectado pelo carrapato-estrela (amblyomma cajennense), causador da febre maculosa. A doença, que já contaminou três pessoas no Rio de Janeiro, sendo que duas delas morreram no mês passado.
A febre maculosa brasileira é uma doença infecciosa febril causada por uma bactéria do gênero Rickettsia, presentes principalmente nos carrapatos-estrela. Desde 1929 há relatos da doença no Brasil. Entre os anos de 1995 e 2004 foram notificados 386 casos sendo que 107 deles resultaram em mortes.