Ao florir da estação primaveril, a qual simboliza a poderosa Mãe Natureza e como intransigente defensor do planeta Terra e do ambiental como um todo, quero externar o meu pensamento quanto à nossa fauna e flora de exuberante e incomensurável riqueza-beleza, assim como os demais recursos, que só a nossa esplendorosa nação-continente tem o privilégio de possuir, os quais representam para todas as criaturas a essência e a preservação da própria espécie.
É do conhecimento público que a denominada Mãe Natureza é o nosso único meio de subsistência e bálsamo d’alma; mas uma parcela considerável da sociedade não parou por momentos no tempo e espaço para reflexão e, num retrospecto, conscientizar-se de que urge despertar para esta realidade, como um imperativo.
Alarmante, abrangente, tornando-se até aviltante o avanço tecnológico e o consumismo nas diversificadas atividades humanas, de forma desenfreada em conseqüência da denominada supercivilização moderna, atrelada ao materialismo, não se dando conta de que o real e maior tesouro do nosso planeta está sendo simplesmente aniquilado: mananciais, florestas, fauna e conseqüentemente a própria humanidade. Vamos todos, indistintamente solidários, num esforço comum numa mudança radical de comportamento, cultivando, resguardando e em constante vigília pró Mãe Natureza, evitando assim a hecatombe ecológica que nos espreita.
O Brasil conta com uma das maiores reservas hídricas do universo, o seu potencial hidrelétrico é a nossa maior fonte supridora de energia; por que a construção de monumentais usinas, concorrência com as superpotências do mundo? Com o campo nuclear, foi simplesmente implantado um monstro, que nos ameaça no cotidiano com seus tentáculos.
O que dizer da busca obsessiva ao ouro negro, através das sondagens nas profundezas do oceano e solo em nome do progresso material, ocasionando dano de monta sem nenhuma possibilidade de reversão à natureza, ao homem.
A Amazônia está deixando de ser o pulmão do universo e continua sendo barbaramente devastada, sendo suas clareiras maiores que muitos países da Europa; no santuário matogrossense está ocorrendo também indiscriminado desmatamento criminoso e a contaminação das nascentes e rios se faz presente por detritos químicos em razão da corrida ao garimpo.
A pesca e a caça indiscriminada e brutal continuam exterminando com a nossa riquíssima fauna. No litoral, a destruição também persiste quanto às dunas, restingas e praias em razão da expansão desordenada da população ribeirinha e sobretudo pela ganância imobiliária, descaracterizando o meio-ambiente.
Como é sabido, a Serra do Mar, apesar de algumas áreas tombadas, ainda é uma séria ameaça de desabamento em Cubatão, cujo índice de poluição é um dos maiores do mundo; a Serra da Juréia, onde está situada uma das poucas estações ecológicas do País, encontra-se praticamente desativada e à mercê de medidas efetivas do governo estadual; da Mata Atlântica só restam 4% da exuberante, extraordinariamente rica em espécies de vegetal-animal, típicas árvores como pau-brasil (árvore símbolo), pau-ferro, jequitibá, peroba, jacarandá e tantas outras denominadas madeira-de-lei, sacrificadas numa exploração criminosa desde os primórdios da nossa colonização.
Fato cristalino da realidade nacional, com a agravante da passiva, permanente pusilanimidade e completa omissão dos poderes constituídos, é deplorável! Apelo para que deixem o Brasil crescer, alcançando o seu merecido lugar, ao qual está predestinado, entre as maiores potências do planeta, tornando-se a maior... Se simplesmente fosse respeitado e como uma das alternativas voltado para o desenvolvimento do genuíno turismo, de acordo com a nossa realidade, divisas altamente auferidas e o nosso, o maior e único tesouro preservado... vamos acreditar na reversão de tudo quanto nos tem denegrido em razão do grandioso e inigualável potencial que temos - não é utopia. Veras.
No apagar das luzes na nova Carta Magna, oitava, necessário se faz, com vigor uma legislação específica quanto à ecologia, entretanto há desalento nesse primeiro grande passo, pela demonstração inequívoca e expressiva por parte dos pseudodefensores do povo, raras e honrosas exceções cujo tratamento tem sido de mera morisqueta; o que deveria ter a primazia, por parte de vossas excelências com a iniciativa, integral e absoluta aprovação. O que se pode esperar de legisladores que desconhecem o dever moral e cívico, tendo nas prerrogativas do cargo eletivo uma gazua para obtenção de benefícios subalternos, legislando em causa própria e sem um mínimo de pejo; cuja sede de poder é avassaladora, vilipendiando a todos, lídimos representantes da besta do apocalipse.
Sucintas sugestões: a) Obrigatoriedade da disciplina ecológica desde as primeiras letras; b) cabendo às Forças Armadas, três armas, a defesa, guarda e permanente vigília da Mãe Natureza; c) aos transgressores da lei, recolhimento de 1.000 a 2.000 ORTNs/dia, replantio da área ceifada na proporção de 1.000 por 1 da mesma espécie e crime inafiançável, dependendo de cada caso, a priori são estas as sugestões a serem colocadas em prática de imediato, para que a “Casa-Mater” seja preservada.
É reconhecidamente “notável” a total deficiência de todos os órgãos, em todos os níveis, bem como a existência de funcionários inescrupulosos a quem caberia fiscalizar e autuar infratores; porém com obrigações sérias encontram-se órgãos como Polícia Florestal-Mananciais e afins, Instituto Brasileiro do Meio-Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - Ibama -, Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal - IBDF -, os quais presume-se subordinados ao Ministério do Meio-Ambiente e Recursos Hídricos da Amazônia Legal, apesar de reconhecermos por parte de muitos o denodo, zelo e extrema dedicação no cumprimento do dever.
É condição “sine qua non” um pacto ecológico, com uma sociedade coesa, organizada, com respaldo de todos os seus segmentos, sanando definitivamente o ranço. Jamais nos omitirmos desta tão importante e necessária cruzada mundial - o Pacto Ecológico! A esperança é a última que fenece; que o verde seja a última esperança!
Arthur Monteiro de Carvalho Netto