Incrustrado entre a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Oceano Atlântico, o Leblon (o Jardim de Alá divide os bairros) e o Arpoador ( aquela pedra divisa com Copacabana), Ipanema é um senhor de bem com a vida. Completou 110 anos dia 22 de abril do ano passado e continua cheio de charme. A data é a da fundação da Vila Ipanema, em 1894.
Aquele sotaque “marrrrr....cante” de agora não foi sempre assim. Seus primeiros moradores foram os índios tamoios. Conta a história que por volta de 1575, os colonizadores dizimaram os índios e ali instalaram o Engenho Del Rey. Em 1609, as terras foram doadas a Fagundes Varela, que trocou o nome do lugar para Engenho Nossa Senhora da Conceição, mas acabou acumulando muitos prejuízos até ser desapropriado e leiloado pelo rei Dom João VI, mudando de mãos várias vezes, até ser comprado por Francisco José Fialho, que a repassou ao filho, José Antônio Moreira Filho, mais conhecido como Barão de Ipanema.
Homem de visão, o barão conseguiu lotear um lugar que no século 19 era um areial sem fim, só atingido por barco ou canoa. Riscou a planta do futuro bairro da então Fazenda Copacabana e comemorou, em 1892, o funcionamento de uma linha puxada a burro sobre trilhos móveis entre Botafogo e a atual Praça Serzedêlo Correia, em Copacabana.
Primeiro passo para a ligação com o novo bairro, o que ocorreu pouco depois com a linha atingindo o Posto 6, conhecido na época como Praia da Igrejinha.
Era o que faltava para a “vila” prosperar - antes era ofuscada pelo brilho de Copacabana -, recebendo investimentos de famílias de imigrantes ricos, entre eles franceses, judeus e italianos que se instalaram de frente ao mar, hoje na avenida mais valorizada do Brasil.
Como era distante do circulo Centro-Catete-Botafogo-Glória, então a “corte” da época, o bairro permaneceu isolado por décadas. Somente nos anos 60 o mundo voltou os olhos para suas belezas naturais e humanas, incluindo as garotas de Ipanema, imortalizadas por Leila Diniz e Helô Pinheiro, a musa de Vinicius de Moraes.