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Devagar... e um pouquinho melhor


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Levantamento recente do IBGE mostra que a renda nos estados brasileiros, digamos, “periféricos”, está crescendo a um ritmo mais forte que nos estados mais “adiantados”, como São Paulo por exemplo. Algumas pessoas avaliaram que esse é um resultado ruim para São Paulo, mas, na verdade, ele é muito bom para o nosso Estado e para o Brasil com toda a certeza. Os dados apurados pelo IBGE são muito úteis e recomendo sua leitura a todos que se interessam pelo desenvolvimento brasileiro. Apesar do ritmo lento de nosso crescimento, ele está acontecendo de forma mais equilibrada. Está induzindo à melhor distribuição geográfica da renda.

Obviamente trata-se de um fenômeno da maior importância porque para o Brasil ser um país decente é preciso que haja uma convergência entre as taxas de crescimento da renda dos vários estados. São Paulo é economicamente muito maior do que os demais e é natural que a taxa de crescimento de sua economia seja sempre um pouquinho menor do que a dos outros. Essa velocidade diferente é um ótimo sinal, pois significa que está ocorrendo uma redistribuição territorial do crescimento. É muito bom que Mato Grosso e Mato Grosso do Sul estejam se desenvolvendo com mais rapidez, que o Maranhão, o Acre e o Amazonas também, e que o Piauí apresente a segunda maior taxa de crescimento no país. A distribuição espacial desse desenvolvimento mostra que ele está sendo puxado pelo agribusiness, pelo extraordinário avanço das fronteiras agrícolas, pela incessante marcha dos pioneiros e pela absorção rápida de tecnologia pelos agricultores e pecuaristas. Este é um fato que deve ser saudado.

Dados interessantíssimos são revelados no trabalho do IBGE, alguns de modo a inspirar o folclore a respeito da forma como os brasileiros suam a camisa: por exemplo, qual a cidade onde a renda per capita aumentou mais? Foi a capital Brasília, o que mostra que ao lado de uma melhor redistribuição da renda regional, a renda per capita está tendo uma péssima distribuição: ganha-se mais no Brasil onde menos se trabalha... É mais um dos paradoxos brasileiros...

Mas, no geral, estamos no rumo certo. Ao contrário de muita gente, fiquei com uma boa impressão desses números que mostram que apesar das enormes dificuldades, com o país crescendo muito menos do que pode, ainda assim está se desenvolvendo de forma um pouco mais homogênea e este homogêneo aqui significa de forma diferente. Seria uma tragédia se todos os estados estivessem crescendo igual porque aumentaria a diferença entre São Paulo e as regiões mais pobres. É fundamental reduzir as diferenças entre os estados, pois é isso que produz a integração nacional.

O autor, Antonio Delfim Netto, é deputado federal pelo PP-SP, professor emérito da USP. E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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