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Uso racional do 13º abrange dívidas, poupança e presentes

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 5 min

Cobrir o cheque especial e pagar parcelamentos de cartão de crédito antes de ir às compras de final de ano. Essa é a orientação dos economistas para o 13º salário, que começa a ser pago na próxima semana. Apesar de não ser hábito do brasileiro, especialistas também recomendam reservar uma parte do dinheiro para a poupança. “Quite suas dívidas e comece o ano novo sem problemas”, aconselha Carlos Sette, economista, consultor de empresas e coordenador de economia do Centro das Indústrias da regional do Estado de São Paulo (Ciesp).

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou na quinta-feira pesquisa revelando que a economia irá receber R$ 45,9 bilhões com o pagamento do 13º salário. Isso equivale a 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) e beneficiará 56,45 milhões de trabalhadores. A média que cada trabalhador receberá, segundo o Dieese, é de R$ 1.092,72.

Para Sette, a maioria dos brasileiros utilizará esse dinheiro para o pagamento de dívidas. O conselho do economista é que os primeiros débitos a serem pagos sejam do cartão de crédito, que tem taxa de juros a 12%, e cheque especial, que consome 8% ao mês. “Os juros são muito altos e entrar o ano com esse débito é muito pesado”, aponta.

Assim que essa dívida for acertada, o economista sugere que o consumidor vá às compras. Para os presentes, ceia e para as festas, ele recomenda que seja usado de 30% a 40% do benefício. “Compre presentes, faça a sua festa, mas prefira pagar tudo à vista. O importante é não deixar muita coisa para o primeiro trimestre”, recomenda.

Lembra o economista que poupar é necessário. “Além do dinheiro para as contas de janeiro, como o IPTU, matrículas das escolas, material didático, é necessário poupar para a compra de um terreno, uma casa”, explica Sette.

O 13º salário da recepcionista Elaine Crisitina Efrísio Nicolini já tem destino: o aluguel de uma chácara para reunir a família. “Para o Natal e o Ano Novo, vamos reunir toda a minha família para comemorar”, conta. O dinheiro do aluguel e despesas será dividido por cada um, conta. Já o benefício que seu marido receberá, será utilizado para uma viagem. “O que sobrar do meu 13º salário, vamos usar para pagar as contas de janeiro”, afirma.

Além de investir nos presentes de Natal, a família de Susana Noqueiro Libório Godoy também planeja uma viagem no começo de janeiro. Ela, o marido e os três filhos já estão com o final de ano planejado. “Estamos pensando em uma pequena reforma no fundo de casa e com o restante, viajar para o litoral”, planeja. A funcionária pública acredita que o benefício deve ser utilizado para proporcionar o momento em família. “É uma hora em que nós estamos todos juntos e não abrimos mão disso”, conclui.

Godoy diz que as contas de começo de ano, como o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), serão pagas com o salário do mês. “A gente se aperta, mas consegue”, afirma. Já a matrícula da escola dos três filhos, ela disse que está pagando desde outubro. “Preferimos antecipar para não acumular no final de ano”.

Quem não recebe

O vendedor autônomo há 15 anos, Fernando Mastrangelli, não recebe horas extras, férias, nem 13.º salário. Para dar conta das despesas de final de ano, ele começa a economizar em julho. “Separo um percentual dos ganhos para a festa, presentes e também para as contas do início do ano”, explica.

Representante de uma malharia, ele revende roupas para Bauru e cidades da região e já está de “férias”. “Atingimos a meta mais cedo esse ano e paramos com as entregas”, explica. Para o final de ano os planos já estão certos: uma viagem com a família toda, que já está 80% paga. “Com planejamento e controle, garanto o lazer”, conta.

A receita de Mastrangelli é simples: durante os meses de maior lucro, ele economiza 25% do seu ganho líquido para janeiro. “Claro que cada família tem o seu orçamento, mas com planejamento se consegue muita coisa”, explica o vendedor.

Além da viagem, a reforma da casa também é uma meta. “Pretendemos fazer uma reforma para os fundos da casa. E com economia, vamos terminar no primeiro semestre”, planeja.

A esposa de Mastrangelli, ao contrário, tem todos os benefícios garantidos, mas segundo ele, possui uma visão bem parecida. “Ela dá palestras sobre planejamento familiar”, explica o representante.

Com o orçamento detalhado, Fernando explica que fica fácil ter dinheiro até para as emergências. “Todo mês separo 3% do faturamento para aqueles casos inesperados, como um pneu furado, um remédio mais caro. Até a cervejinha está contabilizada”, explica.

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Como se programar

Assim que as festas de Ano Novo passam, o mês de janeiro já começa com o calendário anual de contas a pagar. Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), matrícula das escolas, material didático. Alguns ainda pagam licenciamento do veículo, seguros, etc. Nessa conta, deve-se somar as parcelas de presentes de Natal e algum eletrodoméstico que não estava no orçamento inicial. Para não voltar para o cheque especial, o economista Carlos Sette sugere que o pagamento dos tributos seja feito à vista. “O desconto para o IPTU à vista é muito bom”, exemplifica.

Aos que planejam uma viagem, o conselho de Sette é que o 13º seja usado com as despesas do lugar e que a viagem seja financiada. “Aproveite o benefício para as compras e consumo no local. Como o preço do dólar está baixo, a viagem é facilmente financiada”, diz.

Para tentar sanar dívidas com financiadoras e até mesmo crediário, Sette recomenda a negociação. “Aproveite para retirar seu nome das listas de proteção ao crédito. Assim você trabalha melhor, o clima fica mais leve”, aconselha.

Ao analisar a macroeconomia do País, Sette avalia que a maior parte dos 13.º salários será realmente utilizada para o pagamento de dívidas. “E isso também é ajudar o desenvolvimento do País. A economia fica líquida, o comércio cresce e impulsiona a indústria, gerando empregos”, explica.

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