A cidade de Macatuba chegou aos 105 anos com a necessidade de recontar a sua história iniciada oficialmente em 1900. Nos bastidores políticos ganha força, a cada ano, a necessidade da montagem de um memorial. O local seria referência para guardar corretamente documentos e objetos históricos, como também disponibilizá-los à comunidade e pesquisadores.
Uma parceria entre prefeitura e Associação Cultural Evandro Peraçoli (Acep), com apoio da Câmara Municipal, surgiu o Projeto do Resgate Histórico da Cidade. A historiadora do projeto Marina Aparecida Ronque Stopa lamenta a falta de acervo. “Em termos de documentação, Macatuba não se preocupou e muita coisa foi distruída, muita coisa se perdeu. Os arquivos municipais não foram cuidados”, explica. Uma lacuna difícil de ser preenchida são informações anteriores a 1925. O que existe anterior a esta data são relatos orais de moradores, como Dora Artioli, João Mineto Stopa e o farmacêutico Alcides Ludovico. A história das primieras duas décadas terá que ser recuperada em Agudos e Lençóis Paulista, já que Macatuba foi distrito deste município. A família Lista contribuiu para a preservação de muitos registros que datam da década de 30, quando fixaram residência no município.
A Praça Centenário possui um obelisco construído em comemoração ao primeiro centenário da Independência do Brasil. No interior do monumento restaram apenas documentos protegidos por um cilindro metálico. O obelisco foi aberto em 2001, um ano após a cidade completar 100 anos. “No tubo tinha a ata da inauguração da praça, com data de 1921. Um jornal com data de 7 de setembro de 1921. O convite e a programação cultural do município naquele dia.” Esse material foi higienizado pela equipe do Arquivo do Estado e hoje é acervo fundamental do Projeto do Resgate Histórico da Cidade. Stopa explica que o município se desenvolveu a partir do entorno da Praça Santo Antonio, época em que a monocultura de café vivia seu apogeu.
Aliás a monocultura sempre esteve presente no desenvolvimento econômico da cidade. A historiadora lembra que, já na década de 70, os produtores de cana-de-açúcar eram muito ativos, inclusive interferindo na política local. Entre os proprietários que se destacaram, ela cita Juliano Lorenzetti, falecido no ano passado.
Conforme Stopa, a formação do município está ligado à chegada de descendentes portugueses à região, depois a imigrantes italianos e espanhóis. A historiadora acrescenta que, a partir da década de 70, migrantes nordestinos vêm para o corte da cana-de-açúcar. “Muitos ficavam e outros voltavam. Não só Macatuba, mas também Lençóis, regiões de cana tiveram um contingente grande de nordestinos.”