Que ódio! Foi para me provocar! Sai da frente! Você é um...! Hoje não é meu dia!. As frases parecem familiares?
A resposta afirmativa explica a reação de diversos indivíduos ao lidar com situações estressantes do dia-a-dia: trânsito congestionado, acidentes, filas intermináveis, brigas, pressão no trabalho, prova difícil, e muitas outras “bombas-relógio” que, na maioria das vezes, podem detonar a calma de qualquer pessoa, ou melhor, de quase todas as pessoas.
Isso mesmo. Com freqüência são desenvolvidas técnicas e tratamentos alternativos que prometem controlar a ansiedade e aliviar os sentimentos de ira.
Um dos mais recentes é o treino cognitivo para controle da raiva, um tratamento criado nos Estados Unidos e adaptado ao universo brasileiro por meio do Laboratório de Estudos Psicofisiológicos do Stress, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas.
O estudo, que teve início há três anos e está em fase de conclusão, é dividido em três fases, explica a psicóloga Marilda Lipp, coordenadora do projeto e autora do livro “Stress e Turbilhão da Raiva”.
A primeira etapa se baseia em conseguir identificar o que ou quais situações estão provocando ira ou ansiedade. “Em seguida, o indivíduo vai perceber os sinais da raiva em seu corpo: respiração ofegante, tensão muscular e taquicardia, entre outros”, diz Lipp.
O terceiro passo é tentar amenizar esses sintomas físicos e psicológicos. “A pessoa é treinada a realizar uma respiração profunda. Além disso, é incentivada a ver o mundo sob uma ótica diferente, de forma mais positiva”, aponta a psicóloga.
A yogaterapia, técnica que envolve trabalho corporal e relaxamento, é uma alternativa eficaz para controlar situações de raiva e estados de ansiedade. Durante as aulas, as pessoas aprendem a ter uma postura calma e lidar melhor com estresse do dia-a-dia, aponta Eliane Rodrigues, psicóloga e terapeuta corporal.
Isso nem sempre é fácil e exige treino e dedicação para cultivar sentimentos positivos. De acordo com Rodrigues, as emoções negativas funcionam como “toxinas mentais” que se acumulam nos órgãos, provocando ansiedade e depressão.
“Elas são muito nocivas e causam estresse, raiva, ressentimentos e tristezas. A postura terapêutica, principalmente do yoga, é um trabalho de equilíbrio”, destaca Rodrigues.
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Atitudes positivas
Para “exercitar” a tranqüilidade e melhorar o estilo de vida, é essencial não se deixar envolver pelas circunstâncias externas, aponta Eliane Rodrigues. “É um treino mental que passa por um conhecimento do que causa estresse ou a raiva para poder mudar esses elementos. É uma tarefa cotidiana”, diz.
Marilda Lipp concorda. Segundo ela, os acessos de ira fazem mal para a saúde e podem provocar conseqüências físicas: hipertensão, problemas cardíacos, dor de estômago e outras doenças. “Atitudes positivas e direcionadas a resolver os problemas, ao invés de ficar apenas falando neles, ajudam a lidar com as situações de estresse”, enfatiza.
Há três anos, a bancária aposentada Silvia Maria Ferraz, 54 anos, divide seu tempo livre entre as aulas de yogaterapia e hidroginástica visando controlar a ansiedade e situações de conflito.
“Faz muito tempo que não perco o controle mental. Passei por uma fase muito difícil recentemente, ligada a problemas de saúde e perda na família. Acho que se não tivesse equilíbrio interno, enfrentar tudo isso seria muito pior”, conta Ferraz.
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Coração calmo
Além de adotar uma postura tranqüila, outras técnicas ajudam a controlar a raiva. Uma das mais eficazes é a respiração relaxante, aponta Eliane Rodrigues. Básica e simples, ela consiste em inspirar o ar pelo nariz, movendo o abdômen, e soltá-lo lentamente.
“No trânsito, por exemplo, quando a pessoa sente que o estado de ansiedade está tomando conta, pode praticá-la. Respirando em ritmo mais devagar, o indivíduo vai mandando uma mensagem de tranqüilidade para sua mente. A tendência é que a pressão se equilibre e o coração se acalme”, detalha a terapeuta.
Desde que passou a incluir o método respiratório em seu cotidiano, a funcionária pública Silvia Aparecida de Mattos Mandaliti, 52 anos, deixou de “estourar” em situações de ira.
“Sou estressada e agitada. Na hora do nervoso, em muitas situações, já cheguei a ‘explodir’. Hoje, quando sinto raiva ou descontrole, respiro e relaxo. Assim me equilibro”, conta. Praticante de yogaterapia há dois anos, ela ressalta que por meio da respiração relaxante conseguiu combater a insônia. “Hoje durmo melhor, aprendi a respirar bem e ter mais equilíbrio”, comemora.
“É claro que as situações de estresse são impossíveis de se evitar, mas o controle da respiração faz com que momentaneamente a adrenalina fique estável e aí podemos enfrentar o estresse com serenidade”, complementa Sílvia Ferraz.
Outro “exercício” para lidar com a raiva e o estresse é a prática da auto-massagem, que se baseia em estimular pontos do corpo, diz Eliane Rodrigues. “Para diminuir a tensão, a pessoa deve fazer círculos no centro da testa bem devagar. É um método indiano que acalma a mente e também induz ao sono”, observa.
Para completar o relaxamento, explica a terapeuta, basta girar o pescoço bem devagar, com os olhos fechados. Se nenhuma das técnicas funcionar, é fundamental procurar auxílio profissional, ressalta Rodrigues.