Resistir ao aroma dos pães e à beleza dos doces que decoram vitrines das padarias é uma tarefa árdua para a maioria dos mortais. A missão é ainda mais difícil para quem está sob pressão de dieta, como é o caso dos diabéticos. A eles, a restrição impõe sacrifício que deve ser feito inclusive hoje, Dia Mundial de Combate ao Diabetes.
Para quem tem a doença, a tentação é ainda mais cruel porque as opções de produtos indicados são escassas nas padarias de Bauru. De sete consultadas pela reportagem, apenas uma oferece linha de pães dietéticos com fibras. As restantes não têm fabricação própria. A situação, no entanto, poderá ser alterada, espera Evaristo Rodriguez Gonzalez, presidente do Sindicato da Indústria e Panificação (Sindpan).
Na última sexta-feira, ele trouxe uma das empresas que vendem produtos de panificação diet e light para mostrar tanto as novidades do mercado quanto receitas de doces cobiçados. A demonstração foi feita ao professor, conhecido commestre Zezinho, e alguns alunos da Escola de Panificação, mantida pelo sindicato em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
“Eles serão multiplicadores”, explica o presidente (Sindpan), que também preside o Lions Clube de Bauru Sul, entidade que desenvolve ações nacionais e internacionais para combater a doença. “Segunda-feira (hoje) o professor da Escola de Panificação vai testar (as receitas). Vamos levar à Associação dos Diabéticos de Bauru para degustação”, explica.
Iniciativa
O presidente da entidade, José Roberto Eleutério de Oliveira, deve experimentar. Porém, tem receio de adotar a prática no dia a dia. “Não sei se as pessoas já estão preparadas (para preparar produtos recomendados aos diabéticos). Quem não é diabético não sabe do problema. Um erro e pronto. Mas mesmo assim, acho a iniciativa muito válida”, afirma.
Concorda com ele, a manicure Firmina Soares da Silva, que também tem diabetes. Porém, a expectativa dela esbarra nos preços, considerados altos. Ela toma como base os produtos industrializados ofertados nos supermercados. “Na minha situação, são muito caros. Não tem jeito de comprar. Está difícil até comprar fruta”, garante.
No entanto, manter uma alimentação adequada, como deve fazer qualquer pessoa independentemente de ter ou não diabetes, é fundamental. O alerta é da endocrinologista Nancy Bueno Figueiredo, para quem a atividade física também é essencial.
“A diferença é que se o diabético não fizer, sofrerá as conseqüências. A alimentação deve ser balanceada, fracionada (a cada três horas), isenta de açúcar e com gordura e carboidratos regulados conforme a faixa etária e peso”, explica. De acordo com Figueiredo, quando necessário, o uso de medicamentos com prescrição médica é outra medida importante para que sofrem da patologia.
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O que é
Diabetes é um distúrbio metabólico caracterizado por deficiência parcial ou total de insulina ou resistência à ela, provocada, por exemplo, pela obesidade ou sedentarismo. O problema provoca aumento dos níveis de glicose sangüínea e suas complicações.
A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas, que mantém a utilização adequada dos nutrientes, entre eles a glicose. Para ser absorvido pelo organismo, qualquer alimento ingerido tem de ser quebrado nas suas formas mais simples: glicose e sacarose. A glicose tem de entrar nas células para ser utilizada pelo organismo e é a insulina que torna este processo possível.
A ausência ou a ação diminuída da insulina causa a hiperglicemia, ou seja, o acúmulo da glicose não absorvida no sangue. A taxa normal de glicose no sangue, em jejum, é de 70 mg a 110 mg por 100 ml de sangue.
Os primeiros registros de diabetes encontram-se em papiro de Erbs, 1500 anos a.C. A doença é descrita desde a antigüidade pela literatura sânscrita como “moléstia da urina doce”, informa a assessoria de imprensa de grupo que produz medicamento para os pacientes.