É curioso como os governos com vocação autoritária convivem mal com a liberdade de imprensa e de expressão. Aqui, as tentativas de amordaçar a imprensa nos moldes do falecido Conselho Federal de Jornalismo foram intensas. Felizmente não deram certo. Quando na oposição, os partidários do presidente Lula usaram e abusaram do estilingue contra as instituições. Hoje, instalado no trono do poder e decidido a não abandoná-lo, Lula fica muito irritado com as matérias da imprensa denunciando corrupção praticada por integrantes do seu governo. Atitude estranha para um chamado democrata.
Os jornalistas, para o presidente, estariam extrapolando o seu papel e assumindo funções reservadas ao Ministério Público, à Polícia e ao Poder Judiciário. Verdadeiramente, a imprensa está se transformando numa instância de poder de uma sociedade agredida e abandonada.
Enganam-se aqueles que acham que tudo vai ficar como está. Está na hora de passar o Brasil a limpo e, o que é mais importante, a população sabe disso, pois é ela que convive na carne com os problemas e os desmandos de governos corruptos e insensíveis. É imprescindível que a sociedade saiba que a imprensa é o fiel da balança, o bastião da moralidade a colocar seus olhos e vigiar os passos dos que nos dirigem. Mas é necessário, também, que os demais poderes constituídos façam sua parte. É através da imprensa que a sociedade e a opinião pública vão pressionar para que se restabeleça a verdade e que a democracia siga seu curso.
Toda semana a população é sobressaltada com notícias de mais corrupção. Agora são os dez milhões de reais desviados do Banco do Brasil que abrem um novo sulcro nas vias de investigação e cada vez mais surgem novos nomes. Por um simples Fiat Elba, tivemos a cassação de um presidente. Agora temos LandRovers, Valeriodutos, escândalos do BB, mensalões, Waldomiros, dólares na cueca, dinheiro de Cuba, etc, etc. Até quando? Por que não se esclarece toda a verdade para que finalmente o país caminhe célere para seu progresso e futuro?
A segunda entrevista concedida pelo presidente Lula, em seu terceiro ano de mandato, causou espanto às pessoas de bom-senso. Falou e defendeu um Brasil que só existe na cabeça dele, não na dos brasileiros. Tentou, sem sucesso, mostrar que o Caixa 2 das campanhas eleitorais é a coisa mais normal do mundo e, apesar de todas as evidências, continuou batendo na tecla de que todas as denúncias exaustivamente expostas pelos meios de comunicação, após demorados pronunciamentos ouvidos nas três CPIs instauradas no Congresso Nacional, não passam de mentiras. Tentou falar com a desenvoltura de um estadista cônscio de suas responsabilidades, mas suas respostas foram mais um replay dos bordões já utilizados nos improvisos que comete a cada visita agendada convenientemente. Ao tentar defender seu companheiro e ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, justificou a demissão deste como uma tática, ou estratégia, não soube definir bem, para que o deputado e o seu próprio governo se aproveitassem melhor da experiência dele nos embates que advirão no parlamento.
Enfim, essa situação já foi longe demais. Realmente a democracia é um exercício de paciência, mas até quando teremos que conviver com essas bravatas e embromações? Este país é um grande e poderoso Boeing, só precisamos de um bom piloto! (O autor, Benjamin Ribeiro da Silva, é diretor-tesoureiro do SIEEESP – Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo e vice-presidente da FENEP – Federação Nacional das Escolas Particulares. e-mail - Benjamin@einstein24h.com.br )