Brasília - Geraldo Alckmin e José Serra, as duas estrelas do tucanato paulista que travam uma queda de braço pela candidatura presidencial, ontem trocaram afagos em público e atacaram ferozmente o PT. Foi do governador Alckmin, discursando com voz rouca e em alguns momentos falhando, a única referência, ainda que indireta, à acusação de que o PT recebeu financiamento ilegal de Cuba e Angola.
“Os escândalos do governo do PT saltam de continente a continente. São escândalos planetários, extrapolam até mesmo as divisas (sic) do nosso Paísâ€, disse, em fala de improviso.
Ele prometeu aos militantes que lotavam o apertado auditório do Centro de Convenções Ulysses Guimarães que o PSDB vai “tirar das costas do brasileiro este governo inoperante e perdulárioâ€. Também insinuou, ao comentar a iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de finalmente assumir-se como candidato, que o presidente não tem chance de reeleger-se. “Como pode o PT ganhar a eleição se o governo perdeu a confiança do povo?â€
Em discurso que leu, Serra foi mais contundente que o governador e acusou o PT de “trocar a ética da convicção pela ética da conveniênciaâ€. “O partido que se dizia diferente ontem se defende dizendo que somos todos iguais na política. Mas nós não aceitamos a semelhança. O PT propõe a generalização do mal na vida públicaâ€, disse o prefeito de São Paulo.
Numa referência ao que classifica como uma transformação ideológica vivida pelo partido de Lula, o prefeito de São Paulo declarou que os petistas precisaram “trair seus princípios e programas anteriores†e transformar isso em virtude. Para aplauso da militância, ele listou uma série de críticas ao governo em áreas como a saúde (que teria passado de “prioridade a vítimaâ€), a política externa (com as “tropas brasileiras ‘empatanadas’ (sic) no Haitiâ€), e a economia (a cargo de “aprendizes de feiticeiroâ€). O prefeito admitiu que às vezes o PSDB parece ter pouco apetite pelo poder. “Apenas não temos o apetite dos canibais da política brasileiraâ€.
Tanto Alckmin quanto Serra evitaram se colocar explicitamente como candidatos. A disputa está em banho-maria, até ser resolvida em março. O prefeito foi mais aplaudido e teve o jingle de sua malsucedida campanha de 2002 tocado nos intervalos da convenção - nem Alckmin escapou de entrar no salão ao som do antigo refrão serrista: “Muda meu país/Mas não muda minha bandeira/A onda é verde e amarela/Ela não é vermelhaâ€. Mas Alckmin contava com uma claque que gritava: “Brasil urgente, Geraldo presidenteâ€.
Secretários estaduais e deputados paulistas o acompanharam. A Serra, dirigiu gentilezas, dizendo que é “um dos mais preparados homens públicos†e que está “recuperando a cidade de São Paulo, depois do tsunami do PTâ€. O prefeito devolveu com um elogio, mais protocolar, chamando Alckmin de “grande governador de São Pauloâ€. Ele também citou outros governadores do partido.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 74 anos, passou mal durante a convenção nacional do PSDB e teve de ser atendido pela “Brigada Socorristaâ€, grupo de segurança privada contratado pelo partido para o evento. FHC ficou fora do palanque durante meia hora, depois voltou e fez o discurso mais enfático e mais aplaudido do dia. Ele não chegou a desmaiar, mas teve uma forte queda de pressão, ficou muito pálido, suando frio, e desceu do palanque para um salão ao lado.
Depois, foi levado a uma sala reservada e mediu a pressão. Como ela já estava normalizada, voltou para o palanque. FHC tomou apenas um refrigerante, arregaçou as mangas da camisa esporte e descansou um pouco.
Só voltou mais tarde, porém, a tempo de ouvir, sentado, o discurso do novo presidente do partido, Tasso Jereissatti, e por fim fazer o seu próprio, quando a platéia lhe pediu bis quatro vezes.Enquanto se recuperava, FHC explicou que chegara às 5h de Lagos, na Nigéria, e estava muito cansado. Além disso, queixou-se que o palanque estava muito cheio e fazia bastante calor.