Campo Grande - O Pantanal em Mato Grosso do Sul é alvo de quatro projetos industriais que, segundo ambientalistas e pesquisadores, degradarão o ambiente se implantados. O governador José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, é o principal articulador desses empreendimentos e nega que causem danos à região. Há uma semana, o ambientalista Francisco Anselmo Gomes de Barros, 65 anos, o Franselmo, morreu após atear fogo ao próprio corpo, durante protesto em Campo Grande contra um outro projeto, também do governo estadual, de instalação de usinas de álcool na região do entorno do Pantanal.
Zeca do PT afirmou que essas usinas ficarão fora do Pantanal. Os outros quatro empreendimentos, também defendidos pelo petista, ocuparão espaço dentro da planície pantaneira. Três desses projetos são em Corumbá (a 400 quilômetros de Campo Grande). É a principal cidade situada dentro do Pantanal, cuja área é de 140 mil quilômetros quadrados. No solo do município, há uma jazida de minério de ferro de boa qualidade.
As propostas são para instalação de um pólo minero-siderúrgico (para processar minério de ferro), de um pólo gás-químico (retirar fertilizantes e gás de cozinha do gás natural boliviano) e de uma usina termelétrica. Batizada de Termopantanal, essa termelétrica fornecerá energia aos pólos.
Em relatório concluído em agosto passado, o Ministério Público Federal apontou problemas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) desse projeto. Uma das conclusões do relatório diz que houve “prevalência dos aspectos econômicos sobre os ambientais na análise das alternativas de localizaçãoâ€.
Outra crítica está no fato de o EIA não identificar os impactos do lançamento na atmosfera de substâncias tóxicas - como óxidos de nitrogênio e mercúrio - sobre a fauna, flora, saúde humana e recursos hídricos. Apesar do relatório desfavorável, em setembro o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deu licença prévia para a instalação da usina. Um mês depois, em outubro, Zeca do PT concedeu incentivos fiscais ao grupo EBX, escolhido para construir a termelétrica. A administração ainda se comprometeu a doar a área em Corumbá para a instalação da usina.
*Hudson Corrêa e Eduardo de Oliveira