Tribuna do Leitor

O PRECONCEITO E O CABOCLO PENA BRANCA


| Tempo de leitura: 2 min

Nesta Semana da Consciência Negra é necessário lembrar que vários setores da nossa sociedade apregoam que o preconceito no Brasil é social e não racial. Porém, não conseguem explicar baseados nesta análise por que não existe elite negra no Brasil. Na classe média alta há poucos e, para variar, ligados ao esporte e à música, segmentos estes que o sistema não proíbe o afro-brasileiro de sobressair. Mas nos setores intelectuais, nos setores de produção e nos setores de alta relevância social a coisa se torna dramática.

Grande parte da nossa sociedade, devido ao nosso nazismo escravagista de 300 anos atrás, acostumou ver as pessoas negras em posições subalternas e de segunda ou terceira categoria. E não precisamos ir longe: três procuradores, à frente o vice-procurador-geral do Trabalho, Otávio Brito Lopes, acusam os bancos Bradesco, Itaú, Unibanco, HSBC e ABN-Anro de “discriminar” na seleção de funcionários, pretos e pardos. Em ações judiciais protocoladas no dia 13/9/2005, pedem que sejam condenados a pagar a indenização de R$ 30 milhões para cada banco por supostos danos morais à coletividade. Mais multa diária de R$ 500 mil (R$ 100 mil por banco) até que a discriminação seja revertida. Segundo os procuradores, os bancos Bradesco e Unibanco são os que menos contratam pretos e pardos (mais informações sobre as petições do Ministério Público contra bancos estão disponíveis, na íntegra, no seguinte endereço eletrônico: www.folha.com.br/052582).

Poderia ter citado mais exemplos, no entanto, essa iniciativa do Ministério Público é uma das muitas que derrubam a falácia do preconceito social e não racial. Aliás, para dizer que não falei das flores, aqui em Bauru ninguém nunca colocou em dúvida os dribles fenomenais do Lela, a sorte do Jorge Maravilha quando jogava contra o Corinthians ou os gols históricos do Jairzinho na pouca permanência dele aqui na nossa cidade. Ambos negros e jogadores do Noroeste.

Porém, muitos de vocês, leitores, com certeza já ouviram comentários por aí (agora com menos intensidade do que no passado) de que eu não era o autor das cartas aqui na Tribuna do Leitor e apenas assinava. Teve até alguns preconceituosos mais progressistas que admitiam que era eu o autor, mas através de mensagens psicografadas de algum escritor do além. Isto gerou até uma anedota do Antônio Pedroso Júnior que sendo solidário a mim apelidou a suposta entidade de “caboclo Pena Branca”. Aliás, fiz esta comparação com os ex-craques do Noroeste para demonstrar que no esporte não há barreiras, mas nos outros segmentos a coisa se torna complicada.

Só há uma forma de vencer essa doença e é através de conscientização e união de negros, brancos, amarelos e vermelhos não preconceituosos. Tem muitos negros que por ingenuidade ou burrice renegam a própria raça e passam a fazer o papel de capitães do mato. É besteira e só atrasa uma causa que há muito tempo deveria ser prioritária. (Pedro Valentim)

Comentários

Comentários