Se dependesse só da execução do plano diretor de Bauru, ainda em fase de elaboração, os bauruenses deixariam de cobiçar cidades como Curitiba. O documento, que quando concluído definirá diretrizes para o crescimento planejado da cidade, prevê a instalação de áreas verdes em vários bairros do município. Uma delas revitalizaria o entorno do córrego Água Comprida, próximo ao Sambódromo.
“Hoje você passa por lá, é mato. Um parque ali mudaria completamente a visão daquele fundo de vale. Na relação custo-benefício, é um custo pequeno para o benefício que traria. Não é baratinho não, mas também não é absurdamente caro. Eu acredito que seja um projeto viável a curto prazoâ€, explica a arquiteta da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan) Maria Helena Rigitano. Ela coordenou o plano diretor na gestão anterior.
De acordo com Rigitano, a idéia é disseminar pela cidade áreas como o Vitória Régia. A continuação da avenida Nações Unidas (sentido Bauru-Marília) também seria candidata a receber um parque, assim como as proximidades do córrego Água do Sobrado, entre a avenida Castelo Branco e a rua Bernardino de Campos.
“Os parques de Curitiba foram desenvolvidos nos moldes do que a gente está propondo para Bauru, porque eles também começaram com uma preocupação de drenagem. A proposta do plano é dar outro tratamento para os fundos de vale. Depois, é a abertura de avenidasâ€, explica Rigitano.
A Nações Unidas Norte é o exemplo de uma via que poderia interligar bairros. Atualmente, ela pára na avenida Jânio Quadros. O plano diretor prevê sua ampliação até a rodovia Comendador João Ribeiro de Barros (Bauru-Marília), na altura do Distrito Industrial 3, próximo ao Instituto Penal Agrícola (IPA).
“Isso levaria um grande desenvolvimento para o setor. Hoje, o acesso a bairros como o Jardim TV e Jardim Marília não é fácil. Essa avenida tem a função de ser uma interligação desses bairros com a cidade e com outros bairrosâ€, acrescenta a arquiteta. Para ela, a obtenção do belo é um grande desafio, que começa pela pavimentação das ruas e desemboca na auto-estima da população.
Todo esse processo será previsto pelo novo plano diretor, iniciado em dezembro de 2003. Quando concluído, o documento será submetido ao Legislativo. Atualmente, o plano diretor em vigência é de 1996, data do centenário de Bauru.