Cultura

Ao Pé da Letra


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Quando eu voltar de poesia

Caído ao lado da garrafa de café. Respingos de velhice do sopé ao auge de sua montanha; do seu gráfico óptico Ao seu tráfico,sempre presente cômico.

Não tem mais riso inventado. A voz do cego cantador, da voz da música

à vos, ouvidor! Oh, diretor, leu só. Foi sério Porque Só leu. E só: lê-se um terço, E só! Seja o só, sendo a sós.

Berço, berço, berço, onde é que se volta e se dorme de novo e se mata de rir?

Quem sabe voltar a cumprir? Quem sabe comprar um ventilador Sem reclamar do discutir? E pedir um favor,”por favor, um desconto, que seja, Um aumento, um encontro”.

Se for “self”, se ferre, que berre, amanheça de dor. Só pra que sintam sabor De boca estúpida aberta Arrotando seu roto roupão De um arroto-refrão:

”a democracia é fashion”.

Límerson Morales

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Andar Andarilho

Anda o andarilho

Num andar de fome

Agatanho, submisso...

O andar libertário

Limitado à organização das casas

Livre até o portão

Não mais que a calçada...

Tu és livre!

Livre de roupas, das escolhas ornamentais

Livre de espaço privado

Da educação escolar

Das tecnologias

Das novelas, só não é livre do futebol

Que aos jogos, do outro lado da calçada assiste

É tão livre e distante

Que se parece ao cidadão comum, o cidadão de bem(ns).

Andai andarilho

Em favor da natureza:

Quando sol, sob marquises...

Quando chuva, sob marquises...

Quando noite, sob marquises...

Quando come... Ah! Isso ñ tem lugar

São segundos de satisfação animal

Da espécie provando a sua existência

Da realização da própria vida,

É tão rápido que nem se percebe...

Ser humano decepado, esquecido!

Fantasma socioeconômico

Justificação das cercas e das câmeras!

Andai andarilho, simplesmente andai

Pois é o que tens, nada!

Como todos os outros

Apenas a perna

A pena de vida

E o andar andarilho...

Caco Carneiro

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O VENTO E A SAUDADE

O vento trouxe o seu perfume num rasgo de saudade revelando o contorno escultural do seio docemente delineado pela camiseta semi-transparente enquanto você desvendava a Saraiva puríssima do verso com voz e lábios lapidados

sua teoria é uma lei que atrai e desafia

na transparência da luz não é Paula, nem Diana que visualizo

é apenas e tão somente a narciza desnuda na performance do espelho d’água a anos-luz do meu deserto poético

em cada palco revejo-a assumindo um papel diferente

um diamante explêndido na forma primitiva

abelhas vagueando entre as flores o abraço apertado da vida a carícia desinibida do mar

tenho que reconhecer a vida levou-a num aceno mas, acho que não resistirá a beijo super gostoso da poesia

Luiz Barbosa – Membro agregado da ABL

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QUE SILÊNCIO É ESSE?

O que dizer quando mil palavras seriam insuficientes? Dizer palavras tolas e sem sentido resolveria? Talvez acabaria com o silêncio que restou, mas não acalmaria as almas. Há coisas demais em nossos peitos...

E quais palavras eu diria mais? Não sei... Palavras não são suficientes em certas horas, e o que resta, é o silencio novamente.... Maria Clara.

Terra sem Terra

“Dentro desta terra não existe terra Existe apenas grama Existem apenas cores... flores Esta terra é feita de sonhos Ilusões e miragens... Dentro dela você pula Você brinca, se perpetua... Junto do infinito você vira mais uma Mais uma das flores do gramado Mais uma das folhas das árvores Mais uma das gotas do riacho Mais uma das pedras da cascata Sem limites você se une Sem sofrimento algum, Aqui, esta palavra não existe. Tanto quanto não existe dor Nem extintor... Não há fogo Há apenas água e vento... Dentro desta terra você imagina Cria o que bem entender O que te agradar, te gostar Só não vale coisa ruim... Só vale sonhos, desejos... Sem moscas ou percevejos Apenas com borboletas e pássaros Não se pode morrer Apenas pode-se viver... Pode-se criar... pensar... Destruir? Nem imaginar... Porque aqui se cria e se constrói Mas não se cria coisa ruim Esta terra não é uma terra São cores, brisas, campos e flores Esta terra não vem de baixo Nem de cima... Apenas vem de dentro. De onde você pode criar, sonhar, imaginar... Vêm dos poemas e das canções de ninar De dentro do coração, dentro da mente... De onde se cria, com ou sem precedentes.”

Flávio Croffi de Camargo

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SOBRE VOAR !

Queria ser um pássaro

Voar despreocupadamente pelo ar

Sobrevoar pensamentos como o meu

Vidas que sentimos passar

Voar...

Batendo as asas queria estar.

Por um momento,

Paro o que estou fazendo

E sobrevôo

Por um mundo todo meu agora

Imaginando-me

Nessa incrível

Arte de voar!

Viviane Frascareli Lelis

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O SENTIDO DA VIDA

Vivi o tempo todo, envolvida, a buscar o caminho, a saída sofri, chorei, caí, levantei, nos percalços da vida, sobrevivi E eu que andava à procura da realização, alegria pura, encontrei na minha profissão, ensinar adultos, nova paixão Educação tardia, embora teoria porque a prática já a tinham meus novos alunos velhos, que ironia, me deram o sentido da vida!

Leda Fernandes Michellao

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