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Febem: motim tem recorde de feridos

Por Gilmar Penteado e Victor Ramos | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - Cinco dias depois de a Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) determinar que o governo brasileiro adote medidas para garantir a integridade física dos internos da Febem no Tatuapé, zona leste de São Paulo, o complexo registrou ontem uma rebelião com um número recorde de feridos: 24 adolescentes e 31 funcionários, segundo dados da própria fundação.

É a maior quantidade de feridos em um confronto na Febem durante o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) - o número só não supera o resultado de tumultos registrados na instituição em 1999. Internos que conseguiram escapar do complexo anteontem roubaram dois carros e furtaram um terceiro veículo.

Dos 55 feridos atendidos em quatro hospitais, sete continuavam internados até as 20h de ontem. Os casos mais graves eram o de um funcionário que teve o pulmão perfurado por uma naifa (faca artesanal) e de outro, que teria sofrido traumatismo craniano.

Os dois, segundo a Febem, não corriam risco de morte. Uma psicóloga da Febem também foi agredida com socos e pauladas pelos adolescentes e permanecia internada. Essa foi a 18ª rebelião na unidade do Tatuapé desde o começo do ano - em 2004, o complexo registrou apenas uma. Todas as unidades da Febem já somam 34 rebeliões em 2005, seis a mais do que todo o ano passado.

A confusão começou às 11h30, quando mais de 300 internos de três unidades do circuito grave - reincidentes em crimes graves - do Tatuapé tentaram uma fuga em massa. Um grupo conseguiu escapar, mas a Febem não confirmava o número de foragidos até as 20h de ontem. Segundo dados iniciais da PM, 37 adolescentes teriam sido recapturados.

Depois da fuga, internos iniciaram uma rebelião no complexo. Segundo a assessoria da Febem, o motim teria ocorrido apenas nas unidades 19, 20 e 39 - as mesmas onde teria ocorrido a tentativa de fuga. Mas funcionários afirmaram que o motim se espalhou pela maioria das 16 unidade em funcionamento no complexo, que abrigava ontem 1.350 jovens. Internos subiram no telhado e fizeram funcionários reféns.

O coordenador de equipe Guilherme José da Silva, 24 anos, afirmou que estava na unidade 12 quando adolescentes arrombaram a porta de uma sala onde ele e outros funcionários estavam escondidos. Silva foi usado como escudo para evitar a ação dos agentes do Grupo de Intervenção Rápida (GIR) - funcionários vindos da Secretaria da Administração Penitenciária para intervir em situações de risco. “Pelo menos 30 internos me chutavam, me davam pauladas”, disse o funcionário, que teve pequenos cortes no pescoço e uma luxação no braço. A rebelião só foi controlada por volta das 13h30, com a intervenção da Tropa de Choque da Polícia Militar.

O tráfego no trecho da avenida Celso Garcia em frente ao complexo chegou a ser interrompido por duas horas. O complexo do Tatuapé também registrava o último recorde em relação ao número de feridos durante confrontos entre internos e funcionários. Em maio deste ano, 40 agentes e dez adolescentes se feriram em uma rebelião.

O motim de ontem contraria determinação da corte da OEA, que vai investigar uma denúncia de suposto espancamento ocorrido no complexo do Tatuapé em 2004 e 2005. A instância jurídica mais alta no sistema interamericano de defesa de direitos humanos determinou na ultima quinta, sob pena de sanções políticas e econômicas, que o governo brasileiro adotasse medidas para proteger os internos do complexo.

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Sem desativação

São Paulo - O projeto de desativação do complexo do Tatuapé foi anunciado há oito meses pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) aliado à construção de 41 unidades da Febem no interior do Estado de São Paulo.

A chamada descentralização da Febem contou com R$ 53 milhões do Orçamento. Mas, desse montante, R$ 31 milhões foram direcionados para outras despesas da instituição.

Apesar de o governo ter prometido, em março, finalizar as obras cinco meses depois, o projeto apresenta, no estágio atual, apenas quatro terrenos (Mauá, Ferraz de Vasconcelos, Campinas e Itapetininga) com a construção de novas unidades em fase inicial. De acordo com a presidente da Febem, Berenice Giannella, foi a resistência das prefeituras e da população dos municípios escolhidos para abrigar o projeto que não permitiu a conclusão das novas unidades no prazo anunciado. Giannella diz que foi necessária muita negociação para convencer as autoridades locais.

A presidente da instituição também negou que tenha havido corte no orçamento a partir da transferência de verbas originalmente previstas para o projeto de descentralização.

Folhapress

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