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Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Escrever um livro. Há quem diga que ninguém deve passar por essa vida sem deixar algum registro. No Dia Internacional do Livro, celebrado hoje, é possível comprovar a teoria. São inúmeras as pessoas que fazem do velho papel ou da Internet uma forma de legado. Mas enquanto algumas vêem suas palavras surgirem e ganharem leitores na rede mundial de computadores, outros escritores cultivam mesmo o sonho de publicar, em papel, suas idéias.

Cansados de depender de editoras, muitos escritores vêem no mundo virtual uma oportunidade de divulgar seus trabalhos. Para o jornalista Marco Aurélio dos Santos, com a Internet o papel das editoras está superado. “Ninguém mais precisa de intermediários para chegar ao público”, acredita Santos, que, ironicamente, teve o conteúdo de seu blog, produzido em parceria com a também jornalista Daniela Macedo, publicado em livro no ano passado.

A obra se chama “Balde de Gelo” e começou como uma brincadeira. “Eu e Daniela encarnávamos um casal e escrevíamos sobre os acontecimentos vividos por eles, sob pontos de vista individuais. O blog se tornou um sucesso e depois de dois meses surgiu a editora Gênese interessada em transformar o conteúdo em livro”, informa Macedo.

A editora Gênese existe há seis anos e tem como objetivo divulgar novos escritores com vínculo na Internet. Para isso, é feita uma triagem nos blogs para selecionar apenas os produtos com qualidade e que merecem, na visão dos editores, uma publicação. “Não adianta apenas ter um blog, tem que escrever coisas interessantes”, informa a editora, Alê Félix.

Seguindo essa proposta, já foram publicados quatro livros: “Depois Que Acabou”, de Daniela Abade, “Balde de Gelo”, “Malvados”, de André Dahmer, e por fim o sucesso “Blog de Papel”, com 14 escritores e que caminha para a segunda edição. Para Félix, as produções sinalizam para um novo cenário no ramo literário. “A mídia nova está indo para a mídia velha, mas uma não exclui a outra. São prazeres diferentes. O leitor pode gostar de acompanhar diariamente o que é postado nos blogs ou ler o conteúdo todo sem pressa em seu sofá”, analisa Félix, que também vê na Internet uma poderosa aliada dos novos escritores.

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Vontade no papel

A paixão pelas letras contagiou a paulistana Gisele Zwicker quando ainda era menina. Desde os 9 anos escrevendo histórias, a jovem escritora teve seu sonho realizado em outubro deste ano com o lançamento de seu primeiro livro, “A Esquecida”. A história é inspirada em filmes holywoodianos e narra as aventuras de uma adolescente que tem o dom de conversar com fantasmas e a missão de salvar seus colegas de escola.

A própria escritora revela que demorou cinco dias para realmente acreditar no produto que via em suas mãos. “O objetivo de quem escreve é que seu trabalho seja publicado e isso é muito difícil. Quando o livro saiu, demorou para cair minha ficha. Era bom demais para ser verdade”, alegra-se a escritora.

O fascínio pela publicação é descrito pelo bauruense Bruno Pinheiro como uma necessidade. “Não quero passar no mundo sem deixar alguma marca”, resume o estudante de letras que, com apenas 24 anos, tem em seu currículo quatro obras, todas sem publicação. “A maior dificuldade é conseguir alguém que divulgue o que produzo e o meu maior medo é morrer no anonimato”, desabafa. Pinheiro tem três livros de poesia e um de ficção que estão engavetados - na memória do computador -, esperando uma chance de publicação. Quem sabe na Internet?

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