Embora seja comum encontrar carrapatos em áreas verdes, principalmente nos locais onde existem animais silvestres, os responsáveis pela administração do Jardim Botânico e Horto Florestal descartam a ocorrência de picadas de carrapatos em visitantes. “Nunca foi relatado nada, mas não é de se espantar que alguém vá até uma área natural e saia com um carrapatinho grudado na roupa”, explica o diretor do Jardim Botânico Luiz Carlos de Almeida Neto enquanto reforça que o fato de haver carrapatos não significa que eles estejam contaminados com a bactéria transmissora da febre maculosa – grupos de capivaras habitam as redondezas daquela área.
Ele orienta às pessoas que passeiam pelo Jardim a caminharem apenas pelas trilhas abertas ao público e alerta para que não circulem nas áreas reservadas à equipe de vigilância e aos pesquisadores. “Quanto mais a pessoa se afasta do setor permitido, mais ela fica suscetível a levar uma picada de carrapato, abelha ou até mesmo cobra”, avisa.
O vigia Luís Antônio de Oliveira tem passe livre para transitar pela área restrita do Jardim Botânico, pois cuida da segurança do parque e leva pesquisadores a campo. Ele confirma que por várias vezes foi vítima dos parasitas, mesmo quando passava repelente pelo corpo. “A picada causa tanta coceira que não consigo nem dormir”, reclama.
No Horto Florestal, a diretora Eliana de Almeida Angerami afirma que nem freqüentadores nem funcionários do local foram mordidos por carrapatos. A razão para isso, segundo ela, é que o parque se localiza dentro da área urbana do município. “Além disso, nós não temos animais de grande porte por aqui, apenas lebres e tatus”, justifica.
O industriário Paulo Alípio Ferreira costuma freqüentar o Horto, onde leva suas duas filhas para brincar. Ele diz se preocupar com a questão dos carrapatos, mas acredita que não corre risco. “Aqui não tem perigo mesmo porque é proibida a entrada de animais”, afirma.
No Bosque da Comunidade, que fica na Vila Universitária, próximo à Universidade de São Paulo (USP), a ocorrência de carrapatos é ainda mais improvável, de acordo com o secretário municipal do meio ambiente, Carlos Barbieri. “Não existem problemas em relação a isso no bosque, pois os lugares onde esses parasitas aparecem com maior freqüência são áreas rurais, matagais e margens dos rios”, ressalta.
Na cidade de São Paulo, a prefeitura anunciou a vistoria de alguns parques para averiguar a existência de carrapatos-estrela com a bactéria Rickettisia rickettsii. O Departamento de Saúde Coletiva (DSC) de Bauru não pretende adotar o mesmo procedimento nas áreas naturais do município porque não existem suspeitas em relação à febre maculosa.
Anualmente, 40 mil pessoas vistam o Jardim Botânico, já o Horto recebe cerca de 12 mil, de acordo com a direção de ambos. Não há dados em relação ao Bosque da Comunidade.
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Doença do carrapato
Morador do Parque Jussara, o cantor e compositor Leandro Oliveira lembra com clareza da morte de seu pastor alemão, ocorrida há dois meses. “Às vezes ele saia na rua para brincar e quando voltava para casa, encontrávamos carrapatos no quintal”, relata. “Já vimos até na cozinha de casa”, emenda.
Quando o cão adoeceu, agentes da vigilância sanitária do município visitaram o animal, pois havia suspeita de leishmaniose, cujo sintomas são parecidos com os da doença do carrapato. “Depois, nós o levamos ao veterinário, mas já era tarde demais quando foi constatado que ele estava com a doença transmitida pelo carrapato”, recorda Oliveira.
O cantor diz que seu cachorro costumava usar coleira contra parasitas. “Ele tinha a coleira, mas ficou sem usar por um período, foi quando ficou doente”, afirma.