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‘Invasão’ é comum na região de Bauru

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 3 min

A principal causa para o aparecimento de animais selvagens no meio urbano é o desequilíbrio ambiental. De acordo com Pires, essas ocorrências são bastante perceptíveis em nossa região. Na década de 80, explica o zootecnista, a grande incidência foi de ouriços. “Esses pequenos roedores de hábito noturno começaram a aparecer com os desmatamentos crescentes. De 2000 para cá, houve uma grande queda bruta, surgindo apenas dois animais. Hoje a espécie também é rara nas nossas matas, isso significa que sua população vem diminuindo.”

Recentemente, Pires vem observando o mesmo processo ocorrer com o tamanduá-mirim. “Ele alimenta-se de cupins e formigas do alto das árvores, com a redução do cerrado, o animal se aproxima, mas certamente vai rarear.”

Espécies como tucano-toco, papagaio-verdadeiro e gavião, que há muito tempo não eram encontradas, já podem ser vistos nas proximidades da área urbana. “O tucano-toco e o papagaio-verdadeiro estavam desaparecidos, agora estão retornando.”

Pires explica que o modelo de desenvolvimento, com a implantação de vários loteamentos, reduziu de maneira significativa o cerrado na região. A legislação permite, desde que seja mantida 20% de área verde. “Mas isso faz com que formem várias ilhas isoladas, o que impede que as espécies possam fazer a troca de material genético. Essas ilhas precisam se conectar para evitar a endogamia (cruzamento de indivíduos aparentados, que pode provocar deformidades e, conseqüentemente, o desaparecimento da espécie). Felizmente, em Bauru, o DEPRN (Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais) e o Condema (Conselho de Defesa do Meio Ambiente) atuam para evitar que isso ocorra.”

Uma alternativa que tem sido adotada e já comprovou sua eficácia é a implantação dos “corredores ecológicos”, que permitem que os animais atravessem de uma reserva a outra, sem correr muitos riscos. “A gente se esquece dos insetos, dos artrópodes, que são indispensáveis à cadeia alimentar e precisam dessas áreas”, acrescenta Pires.

Alternativas

A orientação do Ibama e do Corpo de Bombeiros, que também é acionado quando há casos de invasão de animais, é não mexer nos ninhos e ter paciência. “A pessoa não precisa ficar desesperada, porque assim que os filhotes crescerem, todos vão embora”, explica o sargento do Corpo de Bombeiros Dorival Porfírio da Silva.

No caso de gambás, explica Lélia, a sugestão é tentar espantá-lo para a área verde. “Normalmente tem uma mata nas proximidades e a pessoa pode, com jeito, assustá-lo com uma vassoura e conduzi-lo para fora.” Deixar a porta ou a janela aberta para que o próprio animal consiga a liberdade também é uma opção.

Para evitar que os animais retornem no próximo ano, principalmente aqueles que fazem seus ninhos em forros, como as maritacas e andorinhas, é vedar os vãos de acesso. Outra alternativa são os repelentes de morcegos e aves, comercializados em lojas agropecuárias. Um desses produtos age como uma cola, que é aplicada em muros, beirais, toldos e marquises. “O animal sente a cola no pé e não retorna mais ao local, mas ele não fica ‘grudado’. O produto é procurado o ano todo, inclusive para afugentar os morcegos”, comenta a vendedora da loja.

A estudante de zootecnia da Unesp de Botucatu Carolyne Assis E. Pinke, voluntária no Ibama, informa que esses produtos são autorizados e não há indicação de prejuízos aos animais. Porém, a sugestão é fazer a higienização do local onde as aves estiveram instaladas, após o abandono do ninho. “Passar produtos com odor forte, como naftalina, vai contribuir para que a ave não volte no próximo ano, o que seria natural dessas espécies.”

Há casos em que as aves ficam presas aos fios de alta tensão, aí sim o Corpo de Bombeiros deve ser acionado. As ocorrências que não envolvam riscos devem ser direcionadas ao Ibama, órgão responsável e preparado para retirar o animal, caso seja necessário. “Infelizmente, já recebemos muitos filhotes de aves com a patinha pendurada, vítima de linha com cerol. Ao construir o ninho, os pais usam linhas com cortante, que causam acidentes”, finaliza Lélia.

• Serviço

O Ibama Bauru pode prestar esclarecimentos pelo telefone (14) 3203-0151.

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