Pirajuí – A população de Pirajuí tem consciência das atuais limitações do município, mas faz questão de ressaltar o que há de bom e estruturas que podem contribuir para melhoria da vida do cidadão pirajuiense. O estudante Douglas Cléber de Oliveira, 13 anos, avalia que a cidade tem carência de empregos e que seria necessário melhorar a pavimentação das ruas. Ele cursa a sétima série na EE “Dr. Alfredo Pujol”, escola que, segundo o estudante, oferece boa qualidade de ensino. A estudante Crislaine Fernandens, 14 anos, companheira de sala de Douglas, faz a mesma avaliação do município que espera ver melhor situado social e economicamente.
A estudante de ensino supletivo no “Dr. Alfredo Pujol” Adriana Cristina Alves, de 15 anos, preferia ver a região da estação ferroviária recuperada, com o edifício histórico ocupado com museu para exposições da história da ferrovia em Pirajuí e área de lazer, ao invés das atuais pichações. Ela reside em uma das oito moradias da antiga colônia de ferroviários, no bairro da estação. Da residência onde mora, há um ano, a visão da jovem estudante é desesperadora. “É muito ruim ver as coisas abandonadas.”
Contudo, como é afeito ao jovem, Alves vê possibilidades de grande transformação na paisagem de prédios abandonados.
O casal de comerciantes Marcelo de Oliveira, 35 anos, e Roselene Kikue Tayra Lemos, 39 anos, são dois entusiastas com as coisas de Pirajuí. Eles fazem do seu ponto comercial, na Praça Doutor Pedro da Rocha Braga, um lugar de convergência cultural no município. Muito freqüentado, o comércio abastece a comunidade com as delícias gastronômicas de uma padaria. O local possui uma área externa agradável para encontros regados a xícaras de café ou chá acompanhadas por doces ou salgados.
Oliveira detalha que faz um trabalho informal divulgando a produção cultural de qualidade. “Tento fazer um contraponto que mostre uma outra via estética. A vida já é dura o bastante para ficar só batendo nas coisas ruins”, explica. O ambiente cultural estimula os funcionários Cleber Rodrigues Lucas, e Raquel Benjamin Lopes que transmitem aos fregueses o astral da loja.
Entre suas atividades paralelas ao comércio, empresta livros aos freqüentadores, que ainda têm oportunidade de ouvir uma seleção musical bastante eclética. Do músico e compositor pirajuiense Tito Madi, conhecido por ser percursor da bossa nova, a prateleira atrás do caixa da padaria tem mais de dez CDs entre centenas de discos aguardando ouvintes. Oliveira lembra que Madi esteve em seu establecimento na semana retrasada, quando esteve em Pirajuí cumprindo agenda de show. “Ele (Tito Madi) nem é meu preferido, mas procuro divulgar seu trabalho. Aqui na cidade ele é pouco conhecido”, justifica.