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12% das mulheres têm hipotireoidismo

Por Luciana La Fortezza | Com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Ione e Ivone, 50 anos, são gêmeas. A semelhança entre elas, no entanto, não está estampada na face ou na aparência. Percorre o campo das afinidades e também dos problemas. As duas têm hipotireoidismo, doença que afeta mais de 12% das mulheres brasileiras acima dos 35 anos.

O percentual consta em pesquisa realizada pelas universidades Federal e Estadual do Rio de Janeiro, que investigou o caso de 1.292 mulheres. O estudo mostrou que apenas 60% delas conhecem o diagnóstico. Apesar dos sintomas, Ivone Aparecida Franco Pedro nem desconfiava do problema, identificado num consultório médico.

“Pelo toque na garganta, meu ginecologista percebeu e me encaminhou para o endocrinologista. Eu confundi cansaço, desânimo e melancolia com o estresse do dia-a-dia. Já faz cinco anos que estou em tratamento. Um dia disse para o médico que não ia continuar”, lembra.

Abriu mão da alternativa por causa dos sintomas. O tratamento deve ser mantido impreterivelmente para que seja possível a reposição dos hormônios T4 e T3, alerta a endocrinologista Telma Regina Gobbi. Eles são produzidos pela tireóide, glândula que fica na parte anterior e inferior do pescoço e que desempenha importante papel no controle metabólico do organismo.

Tratamento

Quando há desequilíbrio, o tratamento é simples: à base de comprimido. Ione Aparecida Godoi Patrize não esquece o compromisso. Desde que o diagnóstico foi confirmado, nem pensou em descumprir as recomendações médicas. “Eu tinha os sintomas, mas o que me despertou foi que eu estava ganhando peso além do normal. Voltei. Controlo (o peso) porque nesta idade a tendência é ganhar. Faço ginástica”, diz.

Se não tivesse tanto cuidado, enfrentaria queda na qualidade de vida, além de outros problemas. De acordo com Mario Vaisman, coordenador do projeto pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o não-tratamento adequado pode afetar o cérebro, o aparelho reprodutor e a estrutura óssea da paciente.

Por essa razão, a coordenadora da pesquisa por parte da Universidade Estadual do Rio de Janeiro aponta como dado mais preocupante o fato de somente 2% das entrevistadas admitir o hipotireoidismo, sendo que o número confirmado é seis vezes maior. Não tratado em mulheres grávidas, a doença pode provocar abortos e partos prematuros. Dos 12,3% de mulheres portadoras do hipotireoidismo, 7% não apresentam sintomas, indica o trabalho.

Patrocinado por um laboratório, o estudo foi realizado com base na metodologia adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao todo, 1.500 domicílios foram visitados em todas as regiões do Rio de Janeiro.

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Ranking

A pesquisa realizada no Rio de Janeiro coloca o Brasil como primeiro colocado no ranking de casos de hipotireoidismo em mulheres. A comparação leva em conta países como a Holanda (10,8%), os EUA (9,5%), a Inglaterra (7,5%), a Noruega (4,8%) e a Espanha (4,7%).

O resultado do estudo que atribui 12% dos casos ao País já era de conhecimento da endocrinologista Telma Regina Gobbi. Mas de acordo com ela, o número pode ser ainda maior e bater a casa dos 15%. Quando questionada sobre as razões que poderiam justificar tal “ascendência”, fez algumas inferências. Entre elas, o diagnóstico mais freqüente e fácil.

Na opinião de Gobbi, o problema pode ser identificado, por exemplo, no ginecologista - ao avaliar a irregularidade menstrual - ou num endocrinologista – quando a paciente apresenta problema de peso. As outras alternativas citadas são o fato das pessoas viverem mais e da relação entre hipotireoidismo e doenças auto-imunes.

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