Bairros

CPFL não explica apagão de meia hora

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A causa do apagão que deixou grande parte de Bauru no escuro anteontem à noite não estava esclarecida até a tarde de ontem. Inicialmente, a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) alegou um vendaval para justificar a queda de um cabo na linha de transmissão próximo ao Jardim Botânico. Posteriormente, admitiu exagero no termo adotado para caracterizar os ventos. As razões para o blecaute estão sob investigação, confirma a assessoria de imprensa.

Para a empresa, no entanto, são grandes as chances (90%) de ventos fortes terem provocado a interrupção de energia. Mas a administração do Jardim Botânico não identificou vestígios (como galhos ou árvores caídas), que apontassem tal ventania. Além disso, a área verde está aproximadamente a dois quilômetros do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

O órgão registrou rajadas de vento com velocidade média de 42 quilômetros por hora. Neste mês, ventos mais fortes já foram registrados. Mas somente a partir dos 52 quilômetros por hora é que o vendaval é caracterizado. O instituto não descarta a possibilidade do registro do fenômeno. Ele não tem como confirmá-lo (quando não está associado a chuvas) a mais de um quilômetro do centro de meteorologia.

Ventos fortes, no entanto, não chamaram a atenção dos moradores de Bauru, que ficaram sem energia. Conforme o JC constatou, o problema afetou de modo variado bairros da zona sudeste, noroeste, centro e sul. Segundo a CPFL, 20% dos moradores de Bauru ficaram sem energia. Alguns por poucos momentos, outros por cerca de 30 minutos.

Relatos

A partir dos cálculos de Nelson Augusto Neto, síndico de um prédio da zona sul, o blecaute de anteontem levou quase 50 minutos para ser resolvido. Na madrugada, ele notou mais uma vez o problema. No início da tarde, constatou o primeiro pico de energia foi sentido. “Tem piorado (o serviço prestado pela CPFL) faz uns dois, três meses. Em prédio é complicado. Tem gente que fica preso no elevador. Ontem (anteontem) um morador teve de descer 12 andares pela escada”, explica.

O bairro onde ele mora foi um dos mais afetados. É atendido por uma subestação ainda não automatizada. Por essa razão, três equipes de eletricistas, (cerca de 15 pessoas), se deslocaram até o local para restabelecer a energia, informa a assessoria de imprensa da CPFL. Já a segunda subestação afetada pela queda da linha de transmissão é automatizada e o problema foi resolvido a distância.

A diferença justifica a avaliação de Amélia Zatti, para quem faltou “só um pouquinho de energia”. Ela é moradora da Vila Coralina. Em outro ponto da cidade (distantes dos dois anteriores), o marido de Marli Aparecida Sanches por pouco não chega atrasado para o trabalho. Só não passou pelo constrangimento ontem pela manhã porque colocaram o celular para despertar.

“Faltou energia a noite inteira. Depois, na madrugada também. A sorte é que eu tenho celular. Tem hora que a energia oscila muito aqui. Fica muito fraquinha. Fico preocupada com o risco e queimar os aparelhos (eletroeletrônicos). Chamei a CPFL, nas ninguém veio conta”, a moradora do Parque Santa Edwirges. A flutuação também incomoda o contabilista Mauro Roberto Ribeiro, segundo quem até as lâmpadas chegam a piscar.

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Controvérsia

Há seis anos, um blecaute de quatro horas atingiu praticamente todos os Estados das regiões Sul e Sudeste do Brasil, além do Distrito Federal e Mato Grosso do Sul. Uma explosão (seguida de incêndio) em um disjuntor da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) em Bauru teria provocado o apagão.

Um dia após a ocorrência do Governo Federal apontou descargas elétricas como prováveis causas da explosão. Polêmica, a informação provoca controvérsias até hoje.

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