Rio de Janeiro - Aos 84 anos, morreu ontem no Rio o ex-ministro Oscar Dias Corrêa, que desde 1989 era membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Dias Corrêa foi vítima de insuficiência respiratória. Morreu às 4h45, em casa. Jurista, ocupou o Ministério da Justiça de janeiro a agosto de 1989, durante o governo do presidente José Sarney (1985-1989), seu colega na academia.
O corpo foi velado no Salão dos Poetas Românticos, na sede da ABL, no centro do Rio. O enterro foi no final da tarde no mausoléu da academia, no cemitério São João Batista (Botafogo, zona Sul). Embora adoentado havia já alguns anos, Dias Corrêa mantinha-se ativo. Nesta sexta, lançaria na ABL seu novo livro “Viagem com Dante”, em que traduziu e comentou trechos de “A Divina Comédia”, a obra máxima do italiano Dante Alighieri.
Sua atividade política começou em 1947, quando foi eleito pela União Democrática Nacional (UDN) deputado estadual por Minas Gerais, seu Estado natal. Nascera em 21 de fevereiro de 1921 em Itaúna, cidade a 93 quilômetros da Capital Belo Horizonte.
Em 1951, ele se reelegeu para a Assembléia Legislativa mineira. Quatro anos depois, foi eleito deputado federal pela primeira vez. Também se elegeu para a Câmara dos Deputados nas duas legislaturas seguintes (1959-1963 e 1963-1967). Na ABL, o ex-ministro foi o quarto ocupante da cadeira 28, cujo patrono é o escritor Manuel Antônio de Almeida (1831-1861), autor de “Memórias de um Sargento de Milícias”. Na década de 80, além de ministro da Justiça, Dias Corrêa foi ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de 1987 a 1989.
O ex-ministro manteve ainda intensa atividade acadêmica. Formado pela Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, onde foi professor, ele lecionou em diversas universidades. Autor de romances e ensaios sobre temas variados, Dias Corrêa deixou viúva, Diva Gordilho Corrêa, e dois filhos, Oscar Júnior e Ângela.