A manchete do JC deste 29/11/2005 me entusiasmou, porém, a matéria, embora elaborada com cuidado pelo jornalista Nélson Gonçalves, me surpreendeu negativamente. Esperava encontrar na matéria, com tamanha manchete, as explicações do ilustre presidente da Emdurb para o pagamento de milhões de reais - de forma ilegal e absurda - às empresas de ônibus (circulares) através da extinta Câmara de Compensação Tarifária.
O tempo passa e, por vezes, as pessoas esquecem, mas nos últimos dias do ano passado o prefeito de então, Nilson Costa, aprovou no Legislativo, com o voto de minerva do presidente da Câmara na ocasião, que por sinal é o atual vice-prefeito e presidente da Emdurb, a extinção da Câmara Tarifária e a renovação indevida dos contratos de exploração das linhas do transporte coletivo no valor de mais de 9 milhões de reais. Uma ação certeira, em todos os sentidos, do Ministério Público obstou que o absurdo proposto se concretizasse. A gestão passada da Emdurb (boa parte dos diretores continuam nos mesmos lugares), com uma leitura errônea da lei que criou a Câmara de Compensação, propiciou o pagamento de 4,2 milhões de reais para as empresas de ônibus de 2001 a 2004.
Não se viu, até agora, sindicância para descobrir os responsáveis por tal desmando. Quando a coisa se trata de punir os pequenos, os lambaris, no caso os lixeiros (se estiverem errados que sejam punidos), a ação é célere, mas quando se trata de apurar responsabilidades entre os graúdos, os tubarões, a coisa não anda. Será que existe sindicância para apurar quem autorizou o pagamento daqueles milhões?
Nicanor Amaro Silva Neto