Economia & Negócios

Ninguém arremata lotes da ECCB

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Dezenas de ex-funcionários da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), que fechou em maio de 2002, aguardavam ansiosos, ontem, a leitura do edital do leilão que colocou à venda dez lotes com imóveis da antiga empregadora. Avaliados em R$ 3.242.670,00, os terrenos e a garagem não pagariam nem um terço da dívida da empresa com os cerca de 750 ex-funcionários, orçada em aproximadamente R$ 10 milhões. Mesmo assim, não apareceu nenhum interessado nos lotes.

“O valor que esse leilão arrecadaria é pouco, pelo tamanho do problema, pelo tempo que está se arrastando. A situação, para alguns, beira ao desespero”, observa Valter Cardoso, que tem cerca de R$ 26 mil a receber da empresa pelos 6 anos e 11 meses que trabalhou como cobrador e motorista na ECCB.

Ao final da leitura, os dez lotes foram colocados à venda em sua totalidade e individualmente. Nenhuma organização ou pessoa ofereceu lance. Segundo Benedito Antônio de Oliveira, advogado do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sindtran) que representa os ex-funcionários da empresa, um segundo leilão deve ser agendado.

“Apesar de ser insuficiente para atender todo o débito, estávamos esperando que alguém oferecesse um lance”, admite Cardoso. Ele também tinha esperanças no leilão. “Queremos que todos os bens sejam levantados, vendidos e que paguem o que nos devem”, pede.

Decepcionados com mais um resultado negativo, os trabalhadores lamentaram a oportunidade perdida. “Tinha esperança de receber alguma coisa ainda esse ano”, revela Carlos Lucato, que atualmente está desempregado. Ele tem R$ 18 mil a receber referentes a sete anos atuando como motorista na ECCB. Ele conta que tem dois filhos adolescentes e, como não consegue trabalho, só a renda da mulher compõe o orçamento familiar.

Anulação

O advogado Mario Luis Gomes representava a empresa no momento do leilão. Mesmo antes do resultado negativo, ele acenava com a intenção de anular o edital. “A executada (ECCB) possivelmente entrará com recurso indicando nulidade”, alega.

Como não apareceu nenhum interessado nos imóveis, o ex-empregado Valter Cardoso propôs a criação de uma cooperativa de antigos funcionários para arrematar alguns lotes com o dinheiro que teriam a receber da empresa. Ele aponta que poderiam alugar espaços da antiga garagem e manter os cooperados com o aluguel.

“Eu me coloco à disposição para quem quiser se unir à proposta de cooperativa e também para empresários que queiram dar algum lance”, oferece. Até a saída do prédio da Justiça do Trabalho, onde foi realizado o leilão, Cardoso já havia conseguido a adesão de outros dois colegas para a formação da cooperativa.

O advogado dos ex-funcionários afirma que essa divisão enfraqueceria a causa. “Assim todos seriam o dono de tudo, mas ninguém teria nada”, conta. O ex-empregado Dilço Hernandes também discorda da idéia da cooperativa. “Eu sou contra porque vai beneficiar uma minoria. Eu não quero ficar com meu dinheiro preso numa cooperativa”, critica.

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Futuro

O dinheiro que receberão do acerto das dívidas trabalhistas já tem endereço certo para muitos ex-funcionários da extinta Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB).

“Quando sair esse dinheiro, pretendo comprar um caminhão para voltar a trabalhar”, conta Carlos Lucato, que atualmente está desempregado e tem R$ 18 mil a receber.

Adalberto de Souza, que foi durante 11 anos cobrador na empresa, ainda não sabe quanto tem a receber. “O cálculo ainda não saiu. Mas vou usar parte do dinheiro para pagar dívidas”, aponta.

Já Moacir Martins pretende investir em imóveis. Ele ainda não sabe quanto irá receber no acerto de contas dos seus 16 anos como empregado da ECCB, mas já sabe como quer passar o resto de sua aposentadoria. “Tranqüilo, na chácara que eu pretendo comprar com esse dinheiro”.

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