Regional

Turismo é ‘pedra preciosa’

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu – A Secretaria Municipal de Turismo de Botucatu está num longo processo de definição de como deve se constituir uma indústria turística voltada também ao turismo ecológico. A cidade se gaba por suas nascentes, ribeirões, cascatas, rios, vales verdes com natureza preservada. Um estudo da secretaria define que das 82 cachoeiras catalogadas apenas dez podem ser utilizadas como atrativo turístico.

Lúcia de Fátima Barros Peduti, secretária municipal de Turismo, defende a exploração controlada das riquezas naturais. Desde 2001 no cargo, ela explica que está tendo o cuidado de projetar primeiro para depois executar. “Como o turismo não é necessidade prioritária e nem a salvação, ele vai vir para melhorar a qualidade de vida e aumentar a auto-estima do botucatuense e para o lazer. Quando chegar esse turista que vai utilizar a área de APA (Área de Proteção Ambiental de Botucatu), todo o equipamento para receber o turista já estará instalado. E com visitação controlada”, esclarece.

Peduti explica já está pronto um laudo técnico das condições de uso das cachoeiras e que integra uma solicitação de recursos junto ao Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (Dade), órgão da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo. Ela comenta que nos próximos dias os documentos irão ser enviados ao Dade, que deve encaminhar uma equipe para vistoriar as condições apontadas no relatório. Conforme esclarece a secretária, essa solicitação de recursos é para auxílio e não a busca do status de estância turística para o município. No Estado de São Paulo existem 67 cidades consideradas estâncias turísticas. O JC consultou o Dade a respeito da solicitação de verba de Botucatu, porém, até o fechamento desta edição, não houve resposta.

Diferente de muitos municípios que correm atrás das verbas do Dade, Peduti não parece ter nenhuma pressa. “Eu apresentei isso para o Dade porque até hoje essas verbas para estâncias turísticas sempre foram muito mais uma seleção de cunho político do que técnico. Estou dando adamento no que foi pedido (pelo Dade) com a visita do nosso secretário de Turismo do Estado (Fernando Longo), que disse que os critérios estavam mudando, se apegando muito mais a dados técnicos, e que enxergava que Botucatu tinha totais condições para ser amparada nessa busca de estância turística”, explica.

Ela lembra que não é interessante para os municípios que já recebem verba do Dade dividir o bolo de recursos com mais integrantes. “Me parece que 30 delas vão perder essa classificação porque não estão aplicando direito. Vem a verba para ser aplicada na área de turismo e o prefeito pega e põe asfalto, dá cesta básica e faze mal uso desse dinheiro. Sei de vizinhos nossos aqui que não conseguiram no ano passado receber os recursos por não apresentarem projetos que tivessem de acordo”, alfineta. Como exigência para liberação dos recursos pelo Dade, as prefeituras têm de encaminhar anualmente um plano de utilização do dinheiro.

Ferramenta perigosa

A secretária Municipal de Turismo de Botucatu, Lúcia de Fátima Barros Peduti, define que o turismo é uma das melhores ferramentas de desenvolvimento para o município. Porém, tem amplas restrições à expectativa que se deposita na indústria do turismo como geradora de recursos sem a contrapartida da exploração sustentada. “É uma ferramenta perigosíssima também, se não for trabalhada com o profissionalismo que temos tratado”, avalia.

Ela comenta que na cidade estão sendo disseminados os princípios da descentralização, integração e participação como base para desenvolver a indústria do turismo. Peduti lembra que até chegar ao estágio atual, havia uma noção de que apenas o Poder Público deveria se mobilizar para desenvolver a atividade turística. Atualmente, o processo já evoluiu e já está sendo planejada uma incubadora de empresas turísticas em parceria com a faculdade de turismo e outros profissionais do segmento.

Assim como Brotas, Botucatu recorreu à especialista da Universidade de São Paulo (USP) Doris Ruschmann para assessorar no desenvolvimento do turismo sustentável. A secretária explica que vários grupos setorizados desenvolvem o Plano Diretor para o Turismo em Botucatu. Ela diz que tem consciência de que a atividade turística, por melhor que seja o controle, sempre causa impacto no ambiente. Se for turismo histórico, a movimentação de gente pode causar algum dano na área dos monumentos. No segmento de exploração ecológica e de aventura, a visitação a uma mata também gera impacto ao meio ambiente. “A gente não está querendo depredar e nem pode. Se esse impacto for planejado, você não vai ter o lado negativo, que seria falta de segurança, excesso de lixo e depredação”, argumenta a favor da cautela.

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