Desenho japonês não é só bichinhos fofos com nomes engraçados que saem de uma bola vermelha e branca ou que “digivolvem-se†em poderosos guerreiros que defendem a humanidade. Esclarecer o público sobre o tema e a cultura pop japonesa, que tem estreita ligação com os animes (desenhos animados) e mangás (histórias em quadrinhos), e democratizar o acesso a esse material é o objetivo do Bauru Otaku Clã, que realizou ontem uma feira com diversas atividades no Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva e que promove eventos e exibição de filmes constantemente no Serviço Social do Comércio (Sesc).
O grupo nasceu em 2003 do encontro de jovens que compartilhavam a paixão pelos personagens de olhos grandes, séries live-action (com atores) e pelas histórias que, em sua maioria, abordam valores mais nobres e temas mais sérios do que as tramas de desenhos, filmes e HQs ocidentais. “Queremos democratizar o acesso a esse universo para que as pessoas possam absorver os valores dos bons desenhos japoneses. Devido à falta de informação, muita gente acha que anime é só ‘Pokemon’, mas esse é só um. Existem animes adultos, com drama e histórias mais pesadasâ€, comenta Pablo Rodrigo Cunado, um dos membros do grupo.
Segundo Mônica Mishima, também integrante do Bauru Otaku Clã, outro objetivo do grupo é oferecer um espaço para as pessoas - especialmente os fãs do gênero - se encontrarem para discutir as tramas, trocar materiais e experiências e fazer amizades de maneira saudável. Além da feira e de sessões quinzenais no Sesc, o clã também se oferece para divulgar os animes e mangás em escolas e instituições. No primeiro trimestre de 2006, eles ainda devem promover mais uma edição da Otaku Fest, convenção regional do gênero.
Na Feira Otaku, o grupo promoveu a exibição de longas de animação e também de episódios de animes, ofereceu workshops de desenho e origami e exibiu quadros, camisetas e fanzines, além das fantasias de cosplay (roupas dos personagens). Entre os destaques, estava uma coleção de bonecos dos personagens, ricos em detalhes e produzidos por duas integrantes do clã. De acordo com Roberta Alessandra Bernardine, cada peça é desenvolvida em biscuit, baseada em fotos ou imagens dos animes. “Escolhemos os nossos favoritos e os mais popularesâ€, aponta.
“O grupo e os encontros servem também para que as pessoas desenvolvam e mostrem qualquer manifestação artística que tenha a ver com os animes. É uma forma de incentivar e até mesmo mostrar os talentos de cada um, convertido em algo saudávelâ€, considera Cunado, vestindo orelhas de raposa. “Normalmente os personagens são comparados a animais, como gato e raposa, e são desenhados assim. Virou mania que as pessoas usem as orelhas nos eventosâ€, explica Mishima.
O grupo, formado por Tiago Machado, Aline Santos, Luciana Mishima, Mônica Mishima, Pablo Cunado, Daniel Fagundes e Fernando Rosan, não tem fins financeiros e atualmente busca patrocínio para suas ações. Mais informações podem ser encontradas no site bauruotakuclan.cjb.net.