Brasília - Bancos e empresas de consultoria reduziram, pela quinta semana seguida, as suas projeções para o crescimento da economia neste ano. A projeção caiu de 3% para 2,66%, segundo pesquisa feita pelo Banco Central (BC) com cem analistas na última sexta-feira.
O levantamento é feito semanalmente pelo BC e já apontava, há algum tempo, um menor otimismo com a economia - em agosto, chegou-se a prever uma expansão de 3,5% neste ano. Essa tendência foi aprofundada, porém, com o anúncio do PIB do terceiro trimestre pelo IBGE na semana passada, que registrou queda de 1,2% no período.
O número pegou de surpresa tanto analistas do setor privado quanto o governo - alguns indicadores já apontavam a desaceleração, mas não nessa magnitude. Os números do PIB foram anunciado num momento em que a política econômica já sofria fortes críticas dentro do governo, especialmente da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). As denúncias de corrupção envolvendo o ministro Antônio Palocci (Fazenda) ajudavam a complicar a situação.
No setor privado, as avaliações sobre a situação da economia diferem uma da outra. Boletim do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) sobre o assunto coloca os juros altos e o real forte como principais responsáveis pela queda do PIB: “Parece evidente que estamos diante de um caso clássico de retração da economia em decorrência dos juros excessivamente altos, do real excessivamente valorizado e de investimentos públicos excessivamente retraídos, como derivação inevitável da orientação adotada pela política econômica”.
Já o economista-chefe do ABN Amro Asset Management, Hugo Penteado, vê perspectivas mais positivas para a economia. Assim como Palocci, Penteado diz que o comportamento do PIB no terceiro trimestre “é um ponto fora da curva”. “A tendência da política monetária, uma política fiscal que tem folga para maior expansão de gastos sem comprometer as metas de superávit primário, emprego, renda, salário, crédito, exportações e confiança de uma forma geral mantêm-se num patamar favorável”, diz o economista.
Segundo essa análise, seria possível esperar uma recuperação da economia nos próximos meses. De fato, segundo a pesquisa de mercado feita pelo BC, espera-se que o País cresça 3,5% em 2006 - mais do que os 2,66% de 2005, mas abaixo dos 4,9% de 2004. Embora cresçam as pressões para uma mudança na política econômica, para o mercado é pouco provável que mudanças ocorram no curto prazo.
Na semana que vem, o Comitê de Política Monetária do BC (Copom) se reúne para decidir o futuro da taxa básica de juros. Segundo os analistas consultados pelo BC, a expectativa é que seja feito um corte de 0,5 ponto percentual na taxa Selic, que, assim, encerraria 2005 em 18% ao ano. É a mesma projeção feita há um mês.