Tribuna do Leitor

Rumo ao progresso


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Como já é do conhecimento dos leitores do JC, estamos tentando encetar uma luta no sentido de se chegar à simplificação do idioma português, de forma a beneficiar a maioria da população brasileira. Gonçalves Dias afirmou uma vez “ser privilégio dos grandes engenhos escrever bem sua língua”. Em outras palavras, quis dizer o escritor que escrever é um direito e uma conquista de alguns poucos privilegiados. Já naquela época marginava-se a grande maioria dos brasileiros.

Sem sombra de dúvida, temos nós todos de reconhecer que a riqueza exuberante do idioma português, com seu emaranhado de regras calcadas em valores etimológicos, tem contribuído para o não-desenvolvimento intelectual do povo brasileiro. Milhões daqueles que conseguem entrar nas escolas de ensino fundamental ou nos cursos de alfabetização, ao se depararem com o difícil e complexo aprendizado das primeiras letras, desestimulados, abandonam as escolas. E aqueles que conseguiram terminar o curso, de modo geral, não sabem escrever corretamente. Ora, se também estudiosos cometem erros, mesmo depois de anos de estudos, é porque as regras do idioma são confusas. São doentias. Então, se os estudos patológicos apuraram as raízes desses problemas antiquados e danosos há que se aplicar uma terapia hodierna e salutar.

Entendemos que se deva fazer uma profunda reforma fonética e ortográfica em nosso idioma. Entendemos que se deva fazer uma sistematização de forma moderna, menos rica em regras confusas. Estamos na era da informática, na era dos clones, do seqüenciamento genético, das células-tronco, dos produtos transgênicos, da robotização, da nanotecnologia, então como continuar a arar a terra com tração animal? Dentro de mais algum tempo, teremos carros que voam e pairam no ar, não mais usando combustíveis fósseis, mas sim o biodiesel, a eletricidade, o ar comprimido, o laser, o hidrogênio e as baterias recarregáveis com fotocélulas. Estão chegando os colossais dirigíveis que transportarão, de uma só vez, cargas com dezenas de toneladas, num esforço mínimo, e nós vamos continuar a cometer erros gramaticais por conta de regras arcaicas e confusas... Concluindo, quando criarmos a ONG “Alfabeto sem amarras” vamos estabelecer prêmios para quem descobrir quando e porque ficou estabelecida essa preciosidade de regra estabelecendo que os substantivos terminados em “ão” devam ter três plurais diferentes (“ães”, “ões” e “s”).

José Perea Martins - RG 3.571.804

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