Tribuna do Leitor

Corinthians: campeão?!


| Tempo de leitura: 2 min

Não! Longe de mim colocar em dúvida a conquista corintiana. Todavia, a mesma não deixa de estar maculada. Erros de arbitragem tornaram possível a conquista do timão. Afinal, a equipe conseguiu ganhar os pontos que havia perdido em embates anteriores. Todos sabem o que houve. Porém, não cabe aqui, tecer qualquer reprimenda ao árbitro desonesto. Em vez de ser relegado ao esquecimento, ao ostracismo, fora vedete em programas de televisão... E, segundo alguns, mediante polpudos cachês! Afinal, culpá-lo por quê? Em 1995, o Santos fora “garfado” pelo árbitro que, dez anos depois, protegera escandalosamente o Corinthians! Contudo, o que mais me enojou foi o técnico do timão, o ex-delegado de polícia, afirmar com convicção que não fora pênalti. O próprio árbitro pediu desculpas pelo erro. Com toda a certeza, o erro não fora intencional.

Tribunais, Senado, Câmara Federal, funcionam no Distrito Federal. A Confederação Brasileira de Desportos não! Por que? Já admirei muito o esporte. Há muitos anos, assisti a um jogo de que não me esqueço. Foi no Parque Antártica. Meu time, o Santos, além de Zito e Jair da Rosa Pinto, contava com aquele ataque internacionalmente conhecido: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Confesso ter visto apenas um craque durante a partida: Adhemir da Guia. Resultado do jogo: Palmeiras 5 x Santos 2.

Em 1982, Telê Santana era o técnico da seleção brasileira. Dias antes, jogadores, representados pelo doutor Sócrates, discordaram quanto ao prêmio em caso de vitória. Poucos, muito poucos, os jogadores de classe média ou classe alta. Lembro-me de alguns: Nariz, goleiro, médico; Heleno de Freitas, advogado; Afonsinho, médico; Sócrates, médico. E por que, por que, justo um médico, classe média-alta de Ribeirão Preto, fora reivindicar premiação?! Não sei se foram premiados, mas tenho a certeza de que perdemos a Copa! Dias depois, o mesmo jogador, ainda no avião, dissera: “Que pena!” E um torcedor negro, junto a uma grade, sem os dentes superiores incisivos, chorava. Lágrimas corriam abundantes por sua face sofrida. Instintivamente, juntei na memória as duas imagens: a do jogador-médico lutando por prêmio maior e o jovem negro chorando a derrota. A partir daí, não sinto qualquer entusiasmo por este esporte! E o Internacional de Porto Alegre? Uma equipe que, no último jogo, perde para o rebaixado Coritiba não tem como almejar outro galardão além do vice-campeonato. E olhe lá!

Álvaro Baptista Pontes

Comentários

Comentários